April 28, 2009
Os ratos têm uma mensagem para você

A mensagem é a seguinte:

Não passe pela porta.

Isso faz algum sentido para você?

São esquisitos, os ratos.

Entendem as coisas errado.

 

(e eu encontro você lá do outro lado...)


:: Por Caco, o Sapo às 08:52 AM :: Add a Comment


November 25, 2008
Cabeças e Cadeiras

 

O próprio processo de ensinar e aprender me fascina desde que me entendo por gente. Naturalmente, a primeira grande professora que tive foi minha mãe, calculadamente deixando livros interessantes e coloridos ao alcance dos meus olhos vorazes, ainda quando eu era pequeno. Parecia-me profundamente mágico que se pudesse entender mais de um diálogo lendo-o do que o ouvindo. Por certo, como ainda era muito pequeno, não conseguia formular frases que demonstrassem a contento todo o meu fascínio, mas minha esperta mãe sabia ler meus sinais infantis e estimulava de diversas formas meu contato com todo o tipo de cultura, desde oferecendo um belo volume de “Os Três Mosqueteiros” até colocando na vitrola o hipnótico “Pendulum”, álbum da banda Creedence Clearwater Revival. Também foi com minha mãe que tomei meu primeiro contato com os poemas e a beleza das rimas refinadas, ouvindo os versos que ela mesma criava em homenagem ao nascimento de cada um dos seus três filhos.

Quando moleque, os livros já me eram apaixonantes, mas as revistas em quadrinhos conseguiam ser ainda mais sedutoras, com seus heróis voadores correndo pelas páginas, gritando frases de efeito que me pareciam permeadas de uma sabedoria quase mística, salvando o mundo constantemente, cheios de nobreza e caráter. Em minha mente, saltava entre os prédios com os heróis de minha infância, torcia por suas inevitáveis vitórias perante os criminosos mais covardes, namorava-me das belas mocinhas que corriam perigo a cada edição. E, acompanhando constantemente aquele mundo arquetípico, ia aprendendo coisas impressionantes sobre mitologia grega (inesquecíveis aventuras da Mulher-Maravilha, apresentando todo o panteão olímpico), sobre a coragem e a dignidade humana (como nas aventuras do meu herói predileto, o Lanterna Verde,  a força de vontade guiando-o pelo cosmo, policiando o universo), sobre as perdas e os erros humanos, sobre redenção (como nas aventuras de heróis urbanos como Homem-Aranha e Demolidor), sobre preconceito e superação (como nas profundas relações sociais pinceladas na jornada dos X-Men).

 

  Depois, ao terminar o segundo grau, tendo feito alguns anos de magistério, decidi dar uma pausa nos meus estudos e começar a trabalhar como “gente grande”. Foi aí que encontrei mais uma série de ótimos “professores”, fossem eles momentos, histórias ou garotos, durante todo o tempo que trabalhei na FEBEM. Com pouco mais de dezoito anos, tinha nas veias a mesma vontade e ideais dos meus velhos heróis dos quadrinhos, mas não carregava o mesmo volume de poder sobre-humano. Para as situações que presenciei, era preciso uma análise mais densa, tamanha a complexidade de cada caso, de cada adolescente. E aí aprendi a avaliar melhor o mundo, compreender que existem inúmeras saídas, interpretações, experimentações.

Tudo, se bem aproveitado, pode ensinar algo muito relevante ao indivíduo. Mas se formos ignorar os professores incidentais, casuais, e formos nos concentrar nas pessoas que decidiram abraçar o ensino como vocação (além de como profissão), certamente seria mais fácil identificar quem foi a figura que deixou uma marca indelével nos meus anos de estudo. Aquele professor de filosofia.

Até então, não tínhamos aulas de filosofia. Estudava no turno da noite, em um colégio público, relativamente contaminado pelo desinteresse de alguns e cansaço de outros. E então, em nossa primeira aula de filosofia, o professor entrou (seu nome era Edgar), sorriu-nos francamente, deu boa noite e pegou sua cadeira, com as duas mãos. Quando percebeu que a sala estava quase toda observando seus gestos, simplesmente colocou a cadeira sobre sua mesa e nos disse, categoricamente, que escrevêssemos sobre o que estávamos vendo ali. Dito isso, saiu sorridente da sala.

Não é preciso ser muito criativo para imaginar a surpresa que se apossou da sala nos quinze minutos seguintes. Que estranheza era aquela? Foi um alvoroço, uma comoção. Não estávamos acostumados a ter nossa imaginação tão desafiada, esperávamos o velho padrão de comportamento professor-aluno, o modorrento caminhar pela noite até o bendito sinal tocar. E ali estava uma cadeira sobre uma mesa, em uma sala sem um professor.

Quando nosso guia retornou, já havíamos criado inúmeras possibilidades de interpretação, a maioria ainda viciada nos velhos moldes de análise que a escola mais engessada pode gerar. Afinal, não era uma simples cadeira? Naturalmente, não era. De forma simples, controlada e emocionante, o jovem professor de filosofia nos levou ao mundo das idéias, ao modelo de cadeira ideal, ao trabalho humano necessário para transpor as divisas entre a imaginação e o mundo real, a imperfeição da matéria. Como no Mito da Caverna, fomos aprendendo a observar as figuras com consciência de suas dimensões, acostumando-nos aos poucos a toda aquela claridade, toda aquela possibilidade de reinventar, remodelar e reinterpretar o mundo, o conhecimento em si.

Durante todo o ano, éramos forçados a caminhar com o professor dentro da filosofia humana, esbarrando em inúmeras idéias perturbadoras e apaixonantes, somente para perceber que as raízes de tudo aquilo já estavam plantadas em nossas mentes há muito tempo. Apenas não havíamos nos dado conta. O professor de filosofia não estava ensinando apenas o método e a história da filosofia: ele estava nos dando ferramentas para que pudéssemos ditar as novas regras do nosso próprio pensamento, da nossa própria interação com o mundo.

O professor de filosofia ficou como um registro, um lembrete eterno, um divisor de águas no meu comportamento. Não que eu desejasse emular sua energia, seus métodos: ele simplesmente havia demonstrado que eu poderia criar meu próprio estilo. E que era exatamente o respeito ao ritmo, estilo e interpretação de cada um o que poderia vir a me tornar um instrumento de ensino tão valioso e poderoso aos outros quanto ele foi para mim.

Meu amor pelo processo de aprendizagem só fez crescer, esses anos todos. Pude aprender muito mais, com cada passagem de minha vida, simplesmente porque tive a sorte de contar com alguém que me mostrou, muito claramente, o quanto há um professor e um aluno em cada pessoa, em cada situação, em cada etapa. E, sendo assim, também acredito que já pude ensinar um bocado. É um processo dinâmico e que não se encerra em si mesmo. Eis aí algo que não é mágico (é bastante científico, aliás), mas contém todo aquele encanto maravilhoso que me fascinava nos primeiros livros pela casa, as portas para um mundo maior do que eu, mas que sempre caberá dentro de mim.

 


:: Por Caco, o Sapo às 03:57 AM :: 2 comments


November 4, 2008
"Vermes e Vikings"

Veriwirrung!

Um viver vago, virulento.

Violento.

A veia vil, viscosa.

Venenosa.

Um vento velho, vadio.

Vazio.

Um vislumbre do vampiro, os vapores vomitivos.

Vestir-se na variedade voraz:

Vexame, Vingança ou Velório?

Variações da valsa vertiginosa.

Na vasta visão, que valha a vigília!

La voie, la vérité, la vie.

Venha o valente, o valor.

Vigor!

Do visco

Ao viço.

Violar a vilania,

Vindicar a volta da volúpia.

As velas, velozes, viajando no vagalhão das verdades.

A vergonha e a vanglória,

Virando o Vinho da Vitória.

Vim, vi.

Vaguei.

Venturoso, vencerei.

"vi veri veniversum vivus vici"


:: Por Caco, o Sapo às 10:29 PM :: 1 comments


August 28, 2008
O Nascimento de Hórus

Um novo rito de passagem.

Tudo ao mesmo tempo.
Completar a terceira dezena anos, vividos intensamente.
A saída de um emprego em que doei mais do que sangue, força, oxigênio, ao longo de todas as décadas que se podem passar em quatro anos.
A oportunidade brilhante de deixar tudo o que vivi até agora para trás e abraçar um velho sonho, no meio do mato, fazendo ciência entre nossos primos menos letrados, os macacos, em um estado que é quase um mundo de distância daqui.
A oportunidade de terminar a faculdade, de uma vez por todas.
A chance de trabalhar ainda mais, dentro daquela escola.
A chance de arrumar um emprego totalmente novo.
O risco de me afogar em dívidas, em medos, em frustrações.
O risco de me perder no meio de tantas coisas.

Encontrar o meu deus, esteja ele onde estiver, escondido em qualquer lapso de sabedoria intuitiva.
Abraçar um ceticismo ainda mais acentuado, fervilhando de respostas questionadoras acerca das perguntas insolúveis.

Pintar a cara, uivar para a lua, dançar ao redor do fogo.
Provar que a reinvenção contínua é a minha fé.

Cá estou, em pé, ouvindo o ensurdecedor trovão.
O furacão se aproxima mais rápido do que um guepardo faminto.
É a mim que ele veio buscar?
Posso correr como uma corsa amedrontada.
Posso rosnar como um lobo ferido.

Ou posso piscar os olhos, sentir o inverno alojado em meu estômago serpentear por minha coluna vertebral, domá-lo com meus neurônios treinados, caçadores em comunhão.
Fechar meus dedos mais fortemente sobre a lança da audácia, mirá-la com a precisão da sabedoria, acertar o olho do furacão.
Permitir que Osíris tenha suas vísceras novamente espalhadas pelo mundo.
Nutrir Ísis em sua missão de reconstrução.
Rejubilar-me no sangue novo, vertendo do nascimento do deus-falcão.
Esculpir no diamante da vida, com dentes e unhas, uma imagem que reflita os meus desejos.

O caminho que eu escolher.
O caminho que eu definir.
O meu caminho.

Bato em meu peito.
Volto a entoar uma canção de guerra. Minha voz é um clamor de mil tambores.
Na boca, o gosto metálico evapora, a saliva em ebulição.

Venha, furacão.
Aproxime-se.
Deixe-me viver mais uma história para contar às crianças, em redor da fogueira, nas noites do meu outono.
Vejamos quem sabe rugir mais alto.
Vejamos quais presas afundam mais na carne aflita.
Vejamos quem permanecerá em pé.

Estou aqui.


:: Por Caco, o Sapo às 07:01 PM :: Add a Comment


August 26, 2008
1978

Já disse isso, mais de uma vez.
Creio que outros também o fizeram, provavelmente melhor.


Mas a única diferença que vejo em fazer 30 anos é saber escolher com maior propriedade quando saborear as coisas como se tivesse muito menos, com a responsabilidade de quem tem muito mais.


Eu continuo me divertindo com a vida.
Enquanto puder brincar com o mundo, está tudo lindo.

 

A vida é uma piada bem elaborada. Você precisa ter senso de humor o suficiente para entendê-la e rir (dela, de si mesmo, da dualidade de todas as pequenas-grandes coisas que nos rodeiam).


Um dos sinônimos de maturidade é "perfeição". Algo absolutamente inalcançável, portanto.
Mas se o que experimento agora é o que me reserva a vida dita madura, por mim está perfeito!

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:: Por Caco, o Sapo às 02:23 PM :: 2 comments


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.ie 5+
.Netscape é o demo!
.respeito
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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


Clube da Luta, por Caco
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Stop
Where is my mind?
Way out in the water, see it swimming
With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
you kill & dine, in cold sublime
We don't need who you think you are


Warning!
If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think everything you are supposed to think? Buy what you're told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you do'nt claim your humanity you will become statistic. You've been warned...
Tyler


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