Entries for March, 2004

March 3, 2004


25th Hour Cyberpunk



Talvez seja um pouco de impaciência, de egocentrismo ou de pessimismo enlatado.
Não faz diferença no final das contas, pois o resultado é praticamente o mesmo: minha visão sobre a humanidade é bem desagradável e tende a piorar gradativamente.
Desde o mendigo da esquina ali atrás até aquele cobrador de ônibus parido por alguma puta mutante incapaz de ensinar boas maneiras, passando pelo esterco em forma de político, o padeiro avesso à higiene básica, o usuário de metrô que desconhece as vantagens do sabão e da água, a vadia ignorante que imagina o mundo como seu palco particular e se apossa absolutamente do ambiente comunitário com sua conversa vulgar e sua risada estridente e desafinada, o infeliz do motoboy apressado que vê em si mesmo a imagem de um Mad Max sem atinar para sua visível mediocridade, o intelectual que vomita seu pseudo conhecimento na moreninha burra e gostosa planejando enfiar seu membro insignificante na mal cheirosa cavidade tão visitada, o preconceituoso de merda que vê em sua própria imbecilidade um motivo de orgulho, o estúpido inerte que vê o mundo passar como se fosse mais um comercial de carros, o filho de uma puta desgraçado que reclama de tudo e pensa que postar uma mensagem assim “irreverente” faz alguma porra de diferença.
Lixo.
Lixo, lixo e lixo na máxima potência.
Um respingo de orgulho talvez nos impeça de reconhecer que Adão (o filho da puta mor que, ironicamente, não teve puta que o parisse) não foi feito de barro. Sim, meus caros, a humanidade pode ser a grande cagada divina nesse turbilhão de criações deslumbrantes da Deusa.
Não é de graça que a televisão e a religião, essas canalhas sorridentes, tenham cativado legiões dispostas a abrir mão do cérebro, do bom senso, do livre arbítrio.
É que encarar a mediocridade da própria vida não é tão gostoso quanto ver a Malú Mader gozar todas as noites e ainda ter dinheiro para torrar com futilidades que enchem os olhos, nem tão bom quanto sonhar com um paraíso injusto (que justiça ninguém de fato quer, é hipocrisia dizer o contrário, todo mundo quer é ser bem recebido, independentemente de ter realmente sido alguém “bom”) que fique de portas abertas e trate como rei até mesmo o mais imundo dos viventes, apenas porque louvou-se algum deus tão imperfeito e incompetente quanto a própria humanidade.
Ah, a infinita hipocrisia humana...
Nosso maior poder, talvez?
Nossa capacidade de fechar os olhos para um mundo decadente e, ao mesmo tempo, sorrir com os nossos olhos apreciando nosso umbigo.
Comer, coçar e procriar.
Não me digam que o ser humano faz sexo, ok? Sim, vivemos num mundo mega povoado, mas sexo mesmo, sexo bom, gostoso e revigorante, esse só uma porcentagem ínfima sabe fazer (e menor ainda é a porcentagem dos que, além de saber, FAZEM direito mesmo).
E, last but not least, uma grande banana para todos os nacionalismos baratos responsáveis pela miopia social, para todas as tribos pseudo conscientes de seu status quo, para todo e qualquer imbecil que levantar da platéia para dizer que sua verdade e sua opinião reflete uma idéia universal e imutável, para cada blogueiro, jornalista, artista e mero falador que ousa trazer sua forma de ver o mundo para fora de sua carcaça vazia apenas para arrotar conhecimento absoluto.
Não somos vermes rastejantes, tenham certeza.
Porque vermes não são ególatras incuráveis.

Eu sou o soco na boca do estômago de Jack, sentindo o sangue coagular no canto esquerdo da boca... seria sangue meu?

:: Por Caco, o Sapo às 02:16 PM :: 4 comments


March 5, 2004


President Dead is clueless


and we don't want to live forever
and we know that suffering is so much better


Não posso reclamar do meu trabalho.
O pessoal é bacana, o serviço é agradável e o dinheiro é muito bem-vindo!
O que chateia mesmo é ter que acordar cedo.
Não sou uma criatura do dia, já percebi...
Também é doloroso ver minha cama lá, solitária, abandonada à própria sorte, um perfeito cenotáfio dos meus prazeres nas férias.
Interessante...
Eu fico aqui pensando sobre esse monte de coisas absurdas que, de algum modo obscuro, se juntaram na minha torpe cabeça de sapo e se converteram em teorias malucas com algum fio de sentido (ao menos para mim).
Não é maldade da minha parte, mas eu vou ter que falar de religião. Não, é sério, não é pelo simples prazer de afrontar noventa por cento da humanidade (se bem que isso é um belo incentivo), mas é preciso questionar algumas coisas.
Supostamente, deus é um cabra batuta. Ele teria criado tudo o que é bom, dado uma olhada, apontado para os filhotes humanos e gritado num sorriso algo como “manda ver!!!”.
Ok...
Vamos pensar sobre isso por um instante.
O cara tinha que ser legal. Bem ou mal, somos os filhos do danado. Pai que é pai não nega a cria!
Embora pra mim o certo mesmo seria uma venerável Deusa, eu até topava acreditar num místico deus supremo se alguma prova definitiva me fosse apresentada.
Porque é muito fácil dizer por aí que o Senhor é meu Pastor, mas que nada me faltará é a maior das balelas que eu já ouvi. Tá faltando de tudo e pra todo mundo. Porra, cadê o boa pinta do Supremo para quebrar esse galho pra gente? Ou o cara é um omisso safado mesmo, que viu a besteira que fez e pulou fora do bote antes de afundar de vez?
Não, não dá, o cara deveria ser boa gente! Tudo bem que pais educam filhos na base do castigo, mas e a fome e morte de tantos inocentes? Inocentes mesmo, porque tem uns que morrem antes mesmo de aprender a falar. Por que o tal do deus Todo Poderoso não chega numa nuvem de fumaça bem produzida, salva quem merece e resolve pelo menos parte do problema?
Ah, tá... o tal do livre arbítrio, né?
Só pra começar, se o carinha lá é onisciente, onde foi parar meu livre arbítrio? Pois se ele sabe o que eu vou fazer exatamente, então eu estou fadado a fazer coisas que eu ainda nem escolhi!
Além disso, o papo do livre arbítrio não cola mais comigo, meu chapa. Parece desculpa esfarrapada de funcionário público, cacete...
Não vejo muito livre arbítrio em morrer de fome...
Então, se o divino não é um tremendo sacana egocêntrico, preguiçoso e covarde, alguma coisa está errada! Porque um deus que prestasse não deixaria metade das barbaridades que nós vemos todos os dias por aí acontecerem.
Nos resta umas duas opções de resposta.
É, pode ir se preparando, não são lá muito legais de se ouvir.
Primeira opção: o tal herói da garotada é só um mito, uma invenção, uma fuga criada por cérebros desesperados e confusos, rejeitando o caos natural que impera no cosmo. Incompetentes em aceitar que tudo é acaso e que a regra cósmica é não haver lógica, forçamos a barra e apelamos para o misticismo. Acreditem quando eu digo, isso foi, é e será muito comum para o homem: não sabe explicar? Inventa!
Ah, mas e como tudo nasceu então? – dirão os otimistas em desespero profundo, recusando-se a aceitar nossa insignificância inerente expressa nessa descoberta cruel.
Bom, isso nos leva à segunda opção!
O pai, deus, javeh, aláh, o tal, o maioral, o super-tudo até existiu. Só que já “passou dessa pra uma melhor”.
Então, deus morreu.
Morreu e ninguém foi ao velório. Ninguém podia prever, né?
Não saiu em jornal nenhum, a globo não mostrou em flashs durante a semana, ninguém se apresentou como filho bastardo do defunto. Isso não quer dizer que ele não abotoou o paletó de madeira.
Só que ninguém viu.
Foi como uma estrela beeeeeeeem distante daqui, perdida no imenso cosmo do próprio infeliz. Apagou e não vimos, mas isso não muda nada.
Já era.
Tudo acaba, por que não ele também?
E isso explica muita coisa, deu pra notar?
É por isso que ninguém mais cuida do Jardim, o Jardineiro morreu.
Estamos sós e o criador nem teve tempo de reformar o serviço.
Eu fico pensando em Edward Lorenz e sua teoria determinista do caos, o tal “Efeito Borboleta”. Pra ele, se uma borboleta (uma borboleta? Não podia ser, sei lá, uma mosca? Que carinha mais gay...) bate as asas no Brasil, uma série de efeitos se sobrepõem e se ativam, quase como num daqueles joguinhos de derrubar dominós, causa e efeito, e a coisa toda termina num furacão no Japão. Tudo interligado, tudo numa teia, um evento detonando incontáveis outros. O que dizer de um evento como a morte do próprio arquiteto...?
No final das contas, nossas religiões, nossa sociedade, nosso mundinho tão minúsculo frente ao que De Fato Há não passam de mais um Cenotáfio.
Um cenotáfio grande e pomposo na nossa micro visão dos fatos.
Apenas mais um pontinho errante no final das contas...
Talvez alguém me olhe agora e pergunte “então, que diabos, pra quê viver????”.
Perguntinha tola.
Eu quero é viver mais intensamente, agora que tenho a posse dessa possível verdade.
Porque, meus caros, até aonde eu sei nossa vida é absolutamente TUDO o que nós já tivemos, temos e poderemos ter.
O resto... eu pergunto pra Deusa depois.


William Gibson's Neuromancer Marilyn Manson's President Dead
:: Por Caco, o Sapo às 08:37 PM :: 2 comments


March 8, 2004
Caco’s Lost Letters

Volume I


Dear Olga Benário Prestes (aka judia revolucionária-comunista, injustiçada pelo governo brasileiro)

É um imenso prazer finalmente lhe escrever essa carta. Devo confessar que sou um fã incondicional da sua pessoa e de seu modo de encarar a vida.
É, provavelmente a senhora recebe sempre cartas de fãs babões assim. Fica difícil esconder minha admiração, está claro! Mas a verdade é que eu estou lhe escrevendo agora por outros motivos que não esse.
Cara Olga, venho mesmo é pedir-lhe formalmente desculpas pelo fim trágico que sua vida teve, graças ao banana do Getúlio Vargas (a quem pretendo escrever uma carta muito em breve), então governante do meu país.
Tenho certeza de que, depois de conviver entre brasileiros por tanto tempo, você notou que nem todos somos tão estúpidos assim. No fundo , o pais tem um bom punhado de pessoas interessantes e inteligentes, pelas quais vale a pena lutar. Mas a grande maioria compõe um povo de péssima memória.
Hoje, somos uma nação carente de heróis, exclusivamente porque não soubemos dar o devido valor a quem lutou (e geralmente, morreu) por um país melhor. É duro reconhecer, mas a sua história é só mais uma chaga na nossa vergonhosa história de lutas mal concluídas.
Peço desculpas se hoje você é meramente lembrada como “a esposa do Prestes”, quando é lembrada, como se fosse mera sombra de seu marido (outro herói nacional injustiçado). Não fique chateada se poucos lembram da vergonhosa traição sofrida, do hediondo ato de entregá-la grávida aos carniceiros nazistas, se alguns velhos tolos ainda possuem fotos de Getúlio penduradas em suas paredes imundas e mofadas pelo tempo. Somos uma nação hipócrita no sentido mais inocente que pode haver (nenhum, eu suponho...).
Fico especialmente tocado num dia como esse, Internacional da Mulher. Nunca me liguei muito em datas comemorativas desprovidas de um valor relevante de fato, mas hoje é um bom dia.
Um dia para começar a pensar.
Começar a lembrar.
Começar a criar, a mexer, rever conceitos.
Nada melhor do que pegar uma heroína internacional como exemplo.
Sei que na Alemanha o seu esforço é reconhecido. Não tanto quanto deveria, mas ao menos algumas praças, ruas e escolas nos lembram que algum dia houve uma mulher chamada Olga Benário Prestes.
Uma mulher determinada, independente, decidida e firme em si mesma.
Uma mulher que, por amor a um ideal, viveu uma vida de luta.
Uma mulher que foi privada de um final mais doce por causa da estupidez de dois homens (só contando os “cabeças” de seu sofrimento).
Talvez o Brasil comece a se lembrar melhor do que lhe deve. Dizem por aí, farão um filme a seu respeito. A boa notícia é que Camila Morgado fará o seu papel (e ela é muito boa atriz, além de bonita). A má é que isso não vai diminuir seu sofrimento, nem nossa vergonha.
Aliás, a vergonha pode até aumentar.
Vai ser duro confirmar a ignorância brasileira, acostumada a procurar nas telas o que já estava escrito faz tempo...
Mas já tomei muito do seu tempo!
Feliz dia internacional das mulheres!
Beijos muito carinhosos do seu admirador,
Caco


:: Por Caco, o Sapo às 12:41 AM :: 9 comments


March 8, 2004
Dia(-a-dia) das Mulheres

Eu "me permito" uma rápida pausa no velório do De Cima para elogiar uma das melhores coisas que ele supostamente criou:


a hipocrisia humana




Só mesmo ela para permitir que o mundo todo comemore UM DIA a mulher e cuspa o resto do ano em seus direitos, qualidades e demais méritos.
Antes tivéssemos o dia do "Fodam-se as Mulheres" e passásemos o resto do ano nos comportando adequadamente...
Mas como não tem remédio, melhor uma vaga lembrança que o total esquecimento.
Mulheres, parabéns.
Não pelo dia.
Mas por segurar as pontas até hoje.
Em especial, um mega beijo de sapo em 3 mulheres fantásticas:
Jojô e Vê, minhas parceiras de brain (e no Brain)
e a ruiva que convive comigo a mais de dois anos, a minha Li


Vocês merecem muito mais do que vão receber de fato...

:: Por Caco, o Sapo às 09:03 PM :: Add a Comment


March 10, 2004
For Love, Love or Love

Digam o que quiserem.
Que o amor é cego, o que bem lhes parecer melhor.
Não me importa!
Hoje é o aniversário da mulher mais maravilhosa, sensacional e fantástica de todo o mundo!
E quem namora ela sou eu, eheheheheheh...

Parabéns Li, te amo!!!!!




:: Por Caco, o Sapo às 01:24 AM :: 6 comments


March 17, 2004


Escrever é uma arte


Talvez eu seja doido...
Alguém mais vê a ironia (acidental, provavelmente) que a frase (entre aspas, lá em baixo) provoca?
Eu fico me perguntando se os corretores deixam passar coisas assim de propósito, ou se são preguiçosos mesmo.
Ou se eu sou tão diabólico que vejo sacanas no mundo, ao invés de coelhinhos da Páscoa.

Saiu hoje no Metrô news (sobre o ator de A Paixão de Cristo, em visita ao Vaticano):

“Jim Caviezel, que interpreta Jesus no filme, teve uma breve conversa com o pontífice, que depois abençoou o ator – um católico devoto, na última segunda-feira.”


Sim, isso se parece com a fé que eu conheço...


:: Por Caco, o Sapo às 04:59 PM :: 3 comments


March 18, 2004


Possíveis Teorias Sobre Minha Demora Em Postar


Desculpas, quem precisa delas?
Quem quer ficar ouvindo eternamente a mesma história?
Não eu, não vocês.
Talvez um leve vislumbre do meu cotidiano sirva mais para o nosso caso do que qualquer desculpa dramática.

Caco vai levando a vida:
+ Trabalhando em frente ao computador (em 3 dias da semana, o horário é de 12 horas)
+ Lendo 4 livros concomitantemente (“Neuromancer” e “As Boas Mulheres da China” por teimosia, “O Senhor dos Anéis” edição completa e maravilhosa e “Feitas Para Durar”, esse último um presente do boss).
+ Estudando uma porrada de apostilas da faculdade.
+ Dormindo de meia noite até 5 da manhã.


Até que não estou me saindo tão mal assim, vai...
Pra equilibrar, só mesmo uma overdose de vocais femininos (Evanescence, Courtney Love e Pitty, vejam só...) e de Li!
E a mamãe a gente ama, mas tá bom com ela assim, viajando...


:: Por Caco, o Sapo às 09:51 AM :: 10 comments


March 22, 2004


Livre arbítrio


Odeio cagar regras.
Odeio ter que encará-las, também.
Talvez, o que eu realmente odeie nem seja isso, nem seja nada do que eu possa realmente falar.
Nem sentir, eu acho.
Não se pode controlar o que se odeia (talvez por isso odiemos então).
Julgamentos são resultados diretos de valores abjetos, e ainda sim não estamos livres.
Nem eu, nem você e, convenhamos, nem ninguém.
Então, dito isso – e assim – vamos a eles, que já estavam me esperando faz um bom tempo.

Eu poderia escrever posts felizes, coloridos e repletos das boas coisas que eu sinto, vejo, vivo. Porque eu vejo coisa bonitas sim, alegres, cheirosas, doces. Vejo isso todos os dias, a quase todo momento, nos lugares mais improváveis. Basta olhar. Mas isso seria vulgar, quase obsceno, porque tornaria medíocre o que é simplesmente belo demais para ser narrado. Não é egoísmo, é humildade perante algo que é maior do que eu posso sonhar em ser.
Eu poderia pintar o mundo de cores fantásticas, porque isso tornaria meus posts interessantes e comentados. Eu não quero.
Não quero enganar a mim mesmo nem a quem me lê. Não quero fingir que o mundo é perfeito e lindo etuti-tuti-com-corações-de-chocolate, porque isso não é ser otimista, é ser ignorante por opção. Que há beleza no mundo é inegável, mas dizer que “SÓ HÁ”, nem hipocrisia mais é. BLÉIM, expulso da parcela racional da humanidade por justa-causa, sem direito a opinar! Covardia de olhar o mundo de frente e perceber o quanto uma sociedade doente infecta qualquer coisa que seja melhor do que lixo. Não, o mundo é bonito mas não é de algodão doce. E eu não sou covarde, me recuso.
Eu também poderia dizer que tudo está perdido e que sou um “indie” hostil buscando a pólvora certa para detonar o mundo. Ah, mas se já disse que não sou covarde!
Quantos se escondem atrás dessa máscara tão sedutora e conveniente, a cara de revoltado com tudo, o rosto do produzido-pelo-sistema. Se a vida é uma merda, meus parabéns. É mais do que você merece...
Eu não sou um exemplo.
Eu não sou perfeito.
Eu não sou underground, cyberpunk ou qualquer um desses deliciosos rótulos.
Eu sou egocêntrico e arrogante demais, a tal ponto de dizer na cara de todos (e na minha, talvez...?) que NÃO estou satisfeito, NÃO estou acomodado.
E NÃO vou ficar parado.
Eu quero mais.
Eu mereço mais.
Na maioria das vezes, todos nós merecemos.
Não descemos daquelas árvores seculares apenas para ficar mais perto dos dejetos que de lá jogávamos. Eu não aceito, não me conformo, não me adapto.
Sim, eu posso escrever posts alegres.
Posso escrever posts engraçados, posso fazer isso e muito mais.
Posso.
Mas não é isso que eu quero.
Eu quero o que eu NÃO posso. Eu quero o que me foi levado (com a minha conivência, que não há vítimas onde há conhecimento).
Eu quero e vou buscar. Custe lá o que custar, tudo tem mesmo um preço, afinal.
Talvez essa seja a grande charada, no final das contas.
Já me disseram pessimista, materialista, explosivo, obscuro.
Nada disso.
O que eu tenho é uma paixão desesperadora pela vida, uma sôfrega consciência de que o que há é o que se pode saborear em algumas dezenas de anos. E essa gana egoísta e incontrolável, esse desejo de morder com todo o corpo a melhor fatia dessa ínfima existência, essa mesma característica tão vil e hedonista, por si só, faz com que eu perca algumas noites de sono pensando nos desconhecidos, esses humanos tão ímpares e, ao mesmo tempo, tão iguais, perdidos no meio dessa confusão, sem muito aonde se agarrar.
Talvez, tolo como só uma criança poderia ser, eu ainda acredito que possa fazer alguma diferença.
Um fiapo de esperança.
Se de fato assim for, não posso reclamar. Quão doce a ironia. Não sou melhor nem mais do que ninguém que eu já tenha criticado.
Tão reles e tão efêmero punhado de carne e desejos quanto qualquer outro.
E a amargura dessa verdade faz abrir um sorriso na minha cara de sapo. Me fortalece. Me dá novas e poderosas armas.
E eu tenho a arrogância necessária para usá-las...


:: Por Caco, o Sapo às 08:01 PM :: 14 comments


March 29, 2004


In the


No meu lenço está escrito 100% algodão.
Mas ele não convence ninguém, de fato.
Se aquilo é algodão, então eu estou ótimo, sem sono, sem preocupações, se receio de falhar no trabalho e na faculdade.
Se aquilo é mesmo algodão, então não preciso me preocupar com mais nada, muito menos com os espirros de hoje, não é essa gripe doida não...
Aliás, se aquilo é mesmo algodão, então eu adoro pegar o trem todo dia, aqueles vagões cheios de alegria e da mais pura educação. E pizza faz bem, e o Maluf não vai ganhar eleição, e eu não estou de saco cheio de um monte de coisas.
Enfim, se aquilo é mesmo algodão, eu não estou com a cabeça fervilhando, eu estou no pleno domínio das minhas vontades e eu SEI exatamente o que é que está me incomodando.
É algodão, então.
Tem que ser.
Se eu repetir isso umas quinhentas vezes, provavelmente eu.. eu..
...
... eu vá ficar com a garganta seca, arranhando, e faça uso do filho da puta do lenço que NÃO É DE ALGODÃO!
E talvez esse post pareça bobo, idiota, sem nexo ou qualquer coisa do gênero.
Tudo bem.
Ele faz sentido, algum, talvez...
O que eu posso fazer?
Ele também não é de algodão.


:: Por Caco, o Sapo às 07:55 PM :: 3 comments


March 29, 2004


She?


Ta certo...
Mas e aquelas que nem mulheres querem mais ser?
Entendam bem, estou falando das super-mega-feministas que, ao contrário de seus planos originais, não resgatam nada para a coletividade. Porque, na gana de querer se libertar, elas se transformam na figura hostil que as açoitava. São mulheres que se tornam machistas de tão feministas, se é que dá para colocar em termos tão loucos.
Ser feminista não deveria querer dizer “ficar igual aos homens”, mas sim afirmar com toda a força que “as diferenças nos tornam iguais”.
Eu não estou dizendo que mulher tem que ser delicada. Nem que tem que ser rude. Nem porra nenhuma que não seja: a mulher NÃO TEM que ser exatamente igual ao homem.
Porque não é mesmo!
Aliás, ficar padronizando já é uma atitude mega machista. Então, se a idéia é resolver a questão, como se espera chegar em resultados diferentes se as fórmulas ainda são as mesmas?
Ninguém sabe tratar as mulheres direito.
Não estamos preparados para tratá-las adequadamente.
Nem as mulheres sabem como tratar a si mesmas.
Porque ou as tratamos como estúpidas e damos uma florzinha medíocre num dia do ano, como se isso fosse mesmo compreender a figura feminina, ou simplesmente chamamos elas para dentro do ringue e vamos socando os rostos enquanto gritamos “vocês não queriam de igual pra igual? Então tome, vamos lá!”.
Nem olhem para mim, eu não tenho uma fórmula perfeita.
Só acho que, honestamente, as coisas só vão começar mesmo a se resolver quando pararmos de falar em homens e mulheres e começarmos a falar em “nós”.
Porque, pode ser mega clichê e chato até não mais poder, mas ou somos “nós” ou não tem time campeão.
Nem é empate, é derrota pra todo mundo...


:: Por Caco, o Sapo às 08:18 PM :: Add a Comment


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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


Clube da Luta, por Caco
Arquivos
Arquivos do CC Net
Arquivos do Blig

Stop
Where is my mind?
Way out in the water, see it swimming
With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
you kill & dine, in cold sublime
We don't need who you think you are


Warning!
If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think everything you are supposed to think? Buy what you're told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you do'nt claim your humanity you will become statistic. You've been warned...
Tyler


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