Entries for May, 2004

May 3, 2004


Sin


Testosterona.
Hormoniozinho filho da puta...
Homem, bicho estúpido movido por sexo e... sexo.
Não adianta argumentar, irritado visitante. Fatos são fatos.
Dois terços do volume total das mamas das fêmeas humanas é composto de gordura. Apenas um terço é destinado à fabricação de leite materno. Seios, órgãos sexuais, sim senhor.
E a testosterona aperfeiçoa as habilidades (reais e imaginárias) das narinas humanas, nos fazendo “sentir” de longe o embriagante perfume de estrogênio no ar.
Química, meus caros amontoados de carne e fluídos. Todos escravizados pela sutil química que produz o nosso meio.
A perfeição de um pensamento em construção: o tal livre arbítrio nada mais é do que carne de soja (muito obrigado pelo elucidativo almoço e comentário, caríssimo Paulão). Um mundo sem churrascarias, esse nosso.
E as reações animais despertam nos momentos mais inoportunos, porque somos animais e fazemos de conta que não somos. A raiva, a preciosa raiva, a inquestionável revolta permanente, mesmo que latente.
Animal, caros animais.
Nós nos embrulhamos em belos enfeites, com papel colorido e regras sociais bem planejadas, complexas, intrincadas. Mas o primata neotênico e sexual ainda está lá, esperando o momento certo pra rasgar toda e qualquer estrutura social que não lhe agrade.
Sim, nós nos imbuímos dos mais puros e sofisticados ideais. Mas todo ideal, tal qual a própria existência individual, é marcescível. O instinto, por outro lado, é perene; trata-se da verdadeira “alma” da humanidade. A existência como espécie é muito mais relevante do que qualquer estrutura ou pacto social, mesmo que eu ou você não gostemos nada disso. Ou gostemos, mas nos recusemos a aceitar tamanha animalidade. Teimamos em achar especial e única a nossa experiência de vida porque seríamos “diferentes” dos outros animais. Aceitar que nossos impulsos mais verdadeiros, mais honestos, mais íntimos, pouco ou nada se diferenciam dos anseios de qualquer outro ser vivente, isso nos pareceria ultrajante.
Mas nós comemos, dormimos, trepamos e uivamos pra Lua, como sempre foi.
Talvez a comida seja sofisticada, a cama seja enorme e macia, o sexo romântico, a Lua seja uma vela aromática e os gemidos sejam palavras de afeto.
Mas ainda é comida, sono, sexo, códigos, símbolos que remetem as mesmas idéias de sempre.
Um ritual sofisticado, mas o mesmo ritual.
Sabe o que é engraçado?
As árvores. Não dá mais para subir nelas outra vez, dizer que cansamos da brincadeira e que queremos voltar a comer piolhos uns dos outros. Passagem só de ida, essa tal evolução.
E eu nem estou reclamando totalmente, nem de tudo. Estou lidando melhor comigo, com a sociedade, com os estímulos metralhados na minha cara, com a atitude blasé que me cai tão bem, mesmo que eu odeie profundamente reconhecer tamanha fatalidade (ah, como a tragédia exagerada anda me servindo bem...).
Mas é que o espírito-raposa, totem imaginário do clã inexistente desse sapo que vos fala, teima em olhar para fora com aquela carinha que só quem leu “O Pequeno Príncipe” antes de qualquer filme (e de qualquer Miss) sabe qual é.
E me vem a vontade de dançar nu numa noite chuvosa, urrando e cantando como um bom pagão, pura e simplesmente comemorando a existência, depois de comer um bocado de carne vermelha, me deitado com a mulher que entorpece meus sentidos e dormido o bom sono dos amorais, na palha seca e reconfortante, lá no fundo da minha caverna...


:: Por Caco, o Sapo às 11:21 AM :: 1 comments


May 5, 2004


Lúcido


OU
HEELS TELEPHONY SERVICE

Andar de metrô e trem está renovando minhas esperanças de manter a sanidade.
Quase todos os dias um novo e bizarro episódio acontece, comigo como mero espectador.
É fascinante, tanto como entretenimento quanto como pesquisa científica social (muito embora essa última observação possa parecer pedante, arrogante... que seja...).
Desde velhinhos puxando facas e socando loiras descontroladas, até senhoras cantando em italiano, com os olhos vidrados, enquanto tiram o sutiã por baixo da blusa (deixando-o no banco do lado, como se não fosse nada). A gama de acontecimentos non sense é impressionante, tanto em conteúdo quanto em diversidade e constância. Um laboratório gigante – onde os ratos-cobaias estão longe de ser branquinhos e simpáticos.
Ontem mesmo, enquanto eu lia o adorável livro “As Boas Mulheres da China” (que eu recomendo), um desses episódios fascinantes aconteceu, bem do meu lado. Fui arrancado do doloroso mundo de Xinran por um sotaque sofrível, num inglês deplorável misturado com um espanhol ininteligível, que dizia frases desconexas em alto e bom som. Achei que era algum grupinho jovem e animado fazendo besteiras, como é comum de se ver. As risadas em grupo que fechavam cada frase alimentaram essa idéia. Tentei voltar para Xinran e suas ouvintes castigadas, lá na China. Uma frase mais alta me trouxe para o vagão novamente e decidi identificar o responsável.
Sentado espaçosamente num dos bancos, ocupando um lugar considerável, estava aquela figura mal vestida, mal cheirosa e nada alegre. Não era um bando de jovens fazendo piadinhas. Era um homem, com um imenso saco preto aos pés (desses de lixo), cheio de cacarecos, falando ao celular com alguém de fora do país. Falando com um espanhol, ou um inglês. Um estrangeiro, não importa muito de onde. Apostei comigo mesmo que, para o Homem Fedido, não havia a menor diferença entre as nações. Estrangeiro é tudo estrangeiro.
Continuava falando no celular, aos berros, sobre música e outras frases feitas que quase qualquer um sabe nesses idiomas. Só faltou mesmo o bom e velho “the book is on the table”. E o celular, potente, dando sinal mesmo dentro do metrô.
Também, não era pra menos: é o novíssimo celular Pé-de-sapato-de-salto-de-mulher-jogado-no-lixo. Aparelho revolucionário!
Aí respirei fundo (a despeito do cheiro inconfundível do Homem Fedido se espalhando no ar) e fiquei satisfeito: se alguém pode usar um tamanco como celular, conseguindo linha, mantendo um papo sofisticado com as E.U.A. (Espanhas Unidas da América) e, principalmente, ficando tanto tempo ao telefone sem nem se preocupar com a conta, então eu não estou assim tão doido. Resta-me um bocado mais de civilidade!
Quase saindo do vagão, na minha estação, ainda ouvi o homem dizer mais alto, em resposta às risadas mais soltas que se ouvia (mas sempre ao telefone): “não, aqui no Brasil no tien problems! Aqui all the peaple tien su carro. Ninguém anda de metrô! Si, és mui wonder. Todo mundo rico.”
Depois acalmou, levantou-se e saiu também.
Inevitavelmente, não consegui deixar de encará-lo com curiosidade. Ele notou e me mandou um sorriso de canto, como quem diz “esses trouxas...”.
Aí deu aquela vontade de imitar certos psicóticos assassinos, e tal qual eles fizeram aos Beatles, dizer ao Homem Fedido: Eu entendi tudo!
Porque, de certo modo, havia naquele episódio todo uma espécie de ironia, de insatisfação, de sátira sádica incondicional.
PLAFT!
Uma farsa bem engendrada, um tapa bem dado, apenas possível se vestido em uma bela roupa de loucura inofensiva. Genial?
Então talvez eu esteja lúcido o suficiente. E o Homem Fedido seja um tremendo agente revolucionário, absurdamente sensato em sua sandice. Provocando reações, improvisando reviravoltas sociais. Teoria do Caos, ao invés da borboleta uma mosca mal cheirosa. Por que não?
Ou nada disso.
Eu sufoquei nos meus anseios, delirei pra poder continuar por aqui. E o Homem Fedido é meramente mais um homem fedido...

E me parece perfeito colocar aqui um ensinamento chinês recentemente aprendido:
A água sustenta o barco, mas também pode virá-lo
E talvez isso pareça ainda mais estúpido. Tudo bem, eu posso usar como desculpa o excesso de leitura de “Os Invisíveis” e me sair quase bem, com essa referência quase desconhecida, eheheh.


:: Por Caco, o Sapo às 06:39 PM :: 1 comments


May 7, 2004


Sprawl


Mas eu acho realmente que estou no caminho certo. E isso é fácil, porque não existe essa idéia de certo e errado universal, além desse papo de “caminho” ser uma metáfora batidíssima e já bem desprovida de significado. Então, qualquer coisa que eu fizer é um caminho e se eu disser que ele está certo, tudo bem. Quem quiser provar o contrário terá um considerável trabalho pela frente, o que imagino ser desestimulante o suficiente pra ninguém vir encher o meu saco.
Posso então oficializar o fim da Era Depressiva aqui no Clube.
Claro, fases assim não passam simplesmente porque você acordou um dia e disse “ok, foi divertido mas cansei de brincar, por agora chega disso”. A coisa é ligeiramente mais complexa.
Mas existe o tal do poder da determinação e outras dessas coisas meio místicas e otimistas, carne de vaca dos livros de auto-ajuda. E tem os incensos de café e outras bizarrias incríveis, mais eficientes pelo fetiche natural do que pelo sobrenatural. E tem o saco cheio também, que dá aquela força bacana.
Então, ao invés de buscar a unidade, de tentar compreender os estímulos arrotados na minha cara todos os dias, de ficar nessa confusão maldita tentando relacionar identidade e personalidade individual, ímpar, com sociedade e espírito coletivo, eu decidi brincar de Homem-Água e me esparramar por aí. Vamos ver no que é que vai dar.
Não é como se eu estivesse abrindo mão da minha personalidade. Um rio não só obedece às suas margens, mas também as faz. E a água não faz nenhuma objeção em receber todo e qualquer raio solar. Eles passam da sua superfície e atingem tão fundo quanto suas forças lhes permitem. O mais legal: isso não impede o rio de continuar seu rumo, numa boa.
Saindo do papo zen-careta, o que realmente importa é que eu abri mão de me defender dos estímulos constantemente atirados em todo mundo. Vou deixar que eles passem por mim, que me atinjam, sem problema. E vou usá-los como achar melhor.
Vou me espalhar pra muito além do limite físico. Não como um espírito místico, mas como entidade intelectual (não propriamente racional, visto que a inteligência cognitiva carrega uma enorme herança de sensitividade inata).
A água ainda me parece um tremendo exemplo. Porque ela é impressionantemente “moldável”, escapando entre os dedos quando não se retém adequadamente, aprofundando-se na terra quando propício.
Maravilha.
Me aprofundar quando for o caso, passar por cima quando não interessar, destruir furiosamente quando os tempos forem difíceis, andar de acordo com a correnteza quando nada precisar ser alterado.
Eu chamo de me esparramar, perder esse negócio de comprimir para reter identidade. Um puta Big Bang pessoal, por assim dizer.
Tomara que eu possa vir a chamar isso de maturidade.


:: Por Caco, o Sapo às 11:21 AM :: 2 comments


May 10, 2004


Para além da Carne


Talvez não seja totalmente como se costuma dizer, porque a vida da gente nunca é o que parece ou o que se pensa. Mas há, inquestionavelmente, um tremendo fundo de verdade naquela história de que “os amigos são a família que a gente escolhe”.
Ou nem isso, porque não se “escolhe” realmente de quem se vai gostar tanto assim.
Poucos amigos conseguem de fato deixar aquela marca indelével, imanente na nossa própria vida. São pessoas que acabam entrelaçando suas experiências, sentimentos e ideais com os que já são nossos.
Um tipo raro de amizade une certas pessoas. Elas se apóiam mutuamente, elas não se deixam tombar, elas riem e choram juntas, ou riem para o outro parar de chorar (ou choram, pois sabem que a solução vai acabar nascendo junto com o sorriso do outro). É algo tão especial que tentar traduzir isso em palavras é vulgarizar algo tremendamente belo. Ainda assim, eu teimo em tentar, tamanha é a minha vontade de expressar o que sinto no momento.
As pessoas de quem eu falo não são meras amigas. São pessoas a quem eu amo de maneira singular, de uma maneira que nem mesmo eu consigo explicar como ou porquê ganhou toda essa proporção. É certo que a presença num dos momentos mais difíceis da minha vida amorosa estreitou nossos laços. Que todos os brincos e chaveiros indevidamente tomados, que os cigarros furiosamente destruídos e todas as conversas e sentimentos compartilhados só alimentaram a intimidade. Mas há algo mais, algo além, que eu não consigo explicar. E é natural que seja assim, pois amor não se explica em instância alguma.
No começo, mal nos conhecíamos. A brincadeira veio na frente de tudo e era tudo o que realmente representava. Eu era o “pai”, ela era a “filha”, dávamos risadas e tudo bem.
Não sei bem quando a nossa simpatia mútua cresceu tanto. Na verdade, demos alguns tropeções divertidos. O fato é que, mais e mais, eu era o pai e ela era a filha.
O carinho se transformou em amor antes mesmo de eu notar. Nunca tive uma filha de sangue, mas será que pode ser um amor maior do que esse que eu sinto por ela? Parece muito difícil...
De lá pra cá, me preocupei e torci por ela sempre, mesmo nos longos intervalos em que não nos víamos. O fim do colégio, o desfecho do meu namoro com a “mãe” dela, o próprio tempo, nada disso realmente nos separou. Ao contrário, como todo amor que se preze, o nosso ganhou força e proporções impressionantes.
Não raras vezes, trocamos de personagem: que precisou de colo fui eu; quem ouviu, aconselhou e ajudou a levantar foi ela. Olhando bem agora, acho que ela fez bem mais o papel de protetora do que de protegida. A verdade é que uma preocupação genuína com o a felicidade do outro sempre esteve na nossa relação.
Quando ele apareceu, senti que havia alguma coisa diferente. Não que eu tivesse previsto alguma coisa. Somente achei que era um cara legal, diferente dos caras com quem ela tinha se relacionado antes, para preocupação do pai aqui.
Rapidamente nos tornamos amigos e ele teve a oportunidade de participar de muita coisa da minha vida também. O “genro” já tinha a minha simpatia, pelo simples fato de ser quem a minha filha amava. Mas quando eu o conheci melhor, encontrando inúmeras similaridades (como o interesse “meramente casual” em quadrinhos), entrando em contato com seu caráter, sua força, seu espírito tão terno e tão decidido, foi inevitável: passei a amá-lo também.
Formavam um casal que, por falta de termo melhor, era extremamente fofo.
Mais do que meus amigos, pessoas a quem eu amo e desejo tudo o que há de melhor.
Seria possível amar esses dois ainda mais?
Vai ter que ser, porque os dois vão virar três...
E é inexplicavelmente fantástico e maravilhoso poder acompanhar toda essa história continuar (e essa historinha tão novinha começar). Puxa, eu já amo esse netinho, profundamente...

Simone, você não é só a minha filha: é uma jóia preciosa, que eu amo muito. Eu jamais conseguirei dizer em palavras o quanto, mas nem preciso. Você SABE.

Cosmo, você não é só o namorado de alguém que eu amo tanto: é uma pessoa ímpar, tremendamente especial. Não me faça repetir que te amo porque aí esse post ficaria "gay" demais. Eu não consigo imaginar alguém melhor do que você para a minha filha (olha a responsabilidade!)

Netinha(o)-Neném: você chega em dezembro, que é um mês tradicionalmente alegre. Até aonde eu sei, esse promete ser o mais feliz até aqui! Seja muito, muito, muito bem vindo... e te prepara que vai faltar tempo pra ficar em tantos colos ávidos, transbordando de amor por você...


:: Por Caco, o Sapo às 07:48 PM :: 4 comments


May 24, 2004


Como se diz saudade em japonês?


E a Carol foi mesmo.
Pro Japão.
Meio assim, saca, do outro lado do mundo?
Pois então, ela foi.
Ficamos nós, torcendo por ela.
Não sei se é grande consolo.
Pro Japão...
Não é como dizer “vou até ali passar umas férias, mas já volto”.
É mais como ir até a Lua. E passar dois anos lá, segundo ela.
Eu realmente vou sentir falta da menina...
E, de tão distante do nosso campo de visão, da nossa realidade diária, eu fico mesmo pensando se faria alguma diferença ela ter ido ao nosso satélite natural, ao invés de para a terra do sol nascente...
Beijos Carol, boa sorte!


:: Por Caco, o Sapo às 05:23 PM :: 1 comments


May 25, 2004


O Post que Ninguém Leu


Numa outra vida, talvez, eu consiga fazer mais o que eu penso do que pensar no que eu faço.
Não adianta muito ter um domínio considerável das palavras se elas só servem como alívio pessoal. Acabamos nos tornando seres verborrágicos e insípidos.
Criticaram a Letícia Spiller outro dia, por ter dito algo como “me amo muito, me acho super sexy, às vezes me basto completamente transando comigo mesma”. Naturalmente, isso foi um tanto arrogante (ou honesto demais). Mas, olhando bem para ela, não dá pra culpar. A mulher é bonita e gostosa (lamento a falta de vocabulário dessa descrição...), eu também me bastaria transando com ela.
Não exatamente defendendo a mulher, acho que ela foi um tanto infeliz na colocação (se não me engano, publicada na Veja). Mas é só olhar as fotos do Paparazzo com ela e a coisa fica mais perdoável (e olha que nem são fotos tão boas assim).
Verdade seja dita, ela foi criticada por dizer uma verdade, por mais egocêntrica que seja. Nós, como sociedade, não estamos prontos para a verdade.
Melhor mentir elegantemente.
Tolerar chatos inoportunos, por educação.
Elogiar o grude horroroso que a fulana fez, pra não desmerecer seus dotes culinários.
Puxar o saco do patrão, para não ser o primeiro nome no qual ele pensa ao dizer “ redução de gastos”.
Inventar mil desculpas esfarrapadas para se afastar de quem se ama, só para não dizer “desculpe, te amo mas preciso do meu espaço”.
Fingir que não é o sexo (físico ou psicológico, subliminar, tanto faz) que rege pelo menos 90% das relações humanas, para dar um brilho de civilidade nas coisas que fazemos.
Dizer que é melhor parar por aqui, que a lista é muito grande, ao invés de continuar vomitando coisas que certamente desagradarão muito mais do que agradarão quem as ler.
Não sei.
Arrogante ou não, a Letícia tem a merda de um status social que a protege.
Um passaporte da alegria que lhe permite dizer algumas verdades, ser honesta consigo mesma muito mais do que a maioria teoricamente pode.
Sorte dela?
Honestamente, eu acho que essa dose de amor próprio demonstrada está em níveis um tanto arriscados.
Fora disso, não vejo como eu possa recriminar a pernuda atriz.
O mais irônico é entender perfeitamente que a mentira é um elemento fundamental para a manutenção da nossa sociedade. Uma honestidade pode ser incrivelmente mais prejudicial do que várias mentiras.
Entender isso, mas insistir em questionar.
Questionar isso, mas insistir em acompanhar a onda.
Numa outra vida, talvez, eu consiga fazer mais o que eu penso do que pensar no que eu faço.


:: Por Caco, o Sapo às 06:49 PM :: 4 comments


May 26, 2004


Longshot


Então, não posso reclamar.
A sorte, quem diria, é mesmo minha amiga esperta e não me abandona facilmente.
Fui almoçar com uma grande amiga que já não via faz tempo. Era almoço marcado e desmarcado várias vezes. Hoje fui, finalmente. Comemos numa churrascaria agradável, rimos um bocado, matamos um pouco da saudade. Prometemos bis, naturalmente. Bom cavalheiro, acompanhei a ½ (apelido carinhoso) até o trabalho dela, mesmo me atrasando pro meu. Que problema isso poderia trazer?
Problema nenhum, ajuda extrema e eficiente.
Chegando na empresa, encontro carros de polícia para todos os lados, armas apontando raivosamente, meu chefe gritando da janela pra eu me afastar que era assalto.
Bandido abre a porta e dá de cara com os policiais.
Mão na cabeça, cara no chão, não corre não!
Se eu não tivesse me atrasado levando a Dehli pro trabalho, estaria ali entre meliante e homens da lei. Acasos malucos...
Ninguém ficou realmente ferido, mas ninguém ficou bem com tanta arma na cara.
Por muito pouco não entro no meio do assalto. E aí, quem sabe o que um maluco desesperado e armado pode fazer quando um sapo entra de sobretudo no meio da história?
Ah, sorte danadinha...
Só me falta dar um fim nessa idéia de greve (again) na faculdade, eheheh...


:: Por Caco, o Sapo às 05:10 PM :: 7 comments


May 28, 2004


Arte Seqüencial


Não, eu não vou negar meu passado Nerd arquetípico.
Confesso. Pior, confesso com certo orgulho inusitado.
Grande parte do que me tornei é conseqüência de horas a fio gastas sobre pilhas e pilhas de revistas em quadrinhos. Se hoje tenho um domínio razoável das palavras, foi porque lia gibis tardes inteiras, muito antes de pegar num livro. Meu primeiro texto em inglês foi uma revista do Tio Patinhas...
Os melhores e maiores valores morais da humanidade, aprendi com os heróis. Zagor, Super Homem, Homem Aranha, Demolidor, cada um me trazia algo que, na época, era deslumbrante.
Os mitos e deuses, a química, até os conceitos básicos da pobre física – constantemente ignorada em muitas histórias – eu vislumbrei primeiro no mundo de gente como os X-Men.
O ódio, a vingança, a morte... a dor da perda... um amontoado de desenhos e palavras, espalhados em folhas de material ruim, isso foi uma base inacreditável para a construção da minha personalidade.
Você já viu Hermes e outros deuses gregos caminhando majestosamente pelo Olimpo? Já entendeu como funciona a força gravitacional na Terra e como ela interfere no lançamento de uma nave? Já percebeu que a realidade é composta por quatro e não três dimensões?
Ah, a bravura dos que reconhecem seu próprio valor. Mais do que um mundo estilizado e vazio, uma experiência relevante com conceitos, lógicos ou não, que norteiam a vida humana. Numa visão romântica, sonhos impressos em papel.
Porque todo mundo gostaria de ter algum poder especial, que o diferenciasse dos outros, que tornasse seu possuidor verdadeiramente ímpar.
Os quadrinhos, acreditem quando digo, são (ou foram) a casa das ideologias da sociedade. Nem sempre acertaram ou fizeram algo produtivo, mas tentaram transmitir com grande impacto o que sentiam seus autores.
E a sexualidade?
Ah, incontáveis apelos eróticos, sim senhor, mas nada destrutivos como se costuma imaginar. Não havia mal algum em apaixonar-se pela Fênix (tanto mãe quanto filha, que se diga), Estelar ou Mulher Maravilha. Eram idealizações ganhando vida, por assim dizer.
Essa coisa de olhar os quadrinhos ainda como expressão fútil ou marginal é tolice. É elemento cultural, queiram ou não.
Más influências?
Eu não acho.
Talvez ver a Espinho Negro e o Vigilante (que não era do peso) trepando e matando desde a página cinco do gibi seja mesmo intenso demais para uma criança de, sei lá, dez anos. Mas é muito pior do que os Dragon Balls da vida? Além disso, há de se repensar o capítulo final da saga: Vigilante, o herói psicologicamente instável, perdendo o pouco que lhe resta de controle, atira na própria cabeça, cumprindo a sua derradeira missão – manter os criminosos longe da sociedade. O herói se torna o mal que jurou exterminar; cometendo suicídio, cumpre sua tarefa, readquirindo status de herói.
Ok, esse talvez não seja um bom exemplo dos méritos dos quadrinhos... ou talvez seja?
Eu devo muito aos quadrinhos. Toneladas de preciosas informações eu adquiri ali. E alguns vícios também... como comprar incontáveis bonequinhos de heróis da minha infância, pagando preços abusivos por objetos meramente decorativos.
Mas fazer o quê?
Muito do Caco Otimista vive no meio desses sonhozinhos infantis de plástico e papel.
E a história dos meus bonequinhos é tema para outra ocasião... ou no próximo número, na continuação dessa inacreditável saga!


:: Por Caco, o Sapo às 05:38 PM :: 2 comments


« 2004/04 | 2004/06 »
Requirements
.ie 5+
.Netscape é o demo!
.respeito
.feedbacks


Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


Clube da Luta, por Caco
Arquivos
Arquivos do CC Net
Arquivos do Blig

Stop
Where is my mind?
Way out in the water, see it swimming
With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
you kill & dine, in cold sublime
We don't need who you think you are


Warning!
If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think everything you are supposed to think? Buy what you're told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you do'nt claim your humanity you will become statistic. You've been warned...
Tyler


Contact
.e.mail
slipkamilot@hotmail.com

.form.mail




Eu sou a verdade de Jack.


Blogs
DEHLIcious blog!
Emma Frost
Marla Singer
Vênus Diabla
Tati
Bruno Mazzeo
Dito
Hunny Bunny


Sites
Lave suas mãos aqui!
Encyclopedia Mythica
Scripts Universe
Series On Line
Famous Babes
Omelete


Exit
Os gráficos e a edição em php e css foram feitos inteiramente por com o auxílio do Adobe Photoshop 7.0 e Dreamweaver 6.0.

O gráfico é uma montagem com várias fotos do filme Fight Club. A blogagem é garantida pelo Tabulas.


Counting


Muitos seres entraram aqui

Estadisticas gratis