Entries for September, 2004

September 9, 2004


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Uma vez é normal.

Duas vezes, bem, acontece.

Três vezes?

Não senhor, isso não é normal porra nenhuma! Não acontece com todo mundo, não é “só mais um fato”, é algo para ser muito atenciosamente observado!

Que diabos!?!?

Três vezes... caramba, aí tem que ser intencional! Foi de caso pensado, com certeza!
Garanto que os dois sabiam o que estavam fazendo! Viram como foi da primeira e da segunda vez, tinham experiência de sobra no assunto. E foram lá e pimba: terceira vez!
Foi intencional. Proposital. Ardilosamente planejado.
Mas o pior vem agora: ninguém descartou a possibilidade de uma quarta vez, muito pelo contrário; os planos são de repetir a coisa toda ad eternum!!!

Safados!

Como é que podem???



E assim comemoramos mais um aniversário de namoro. Três anos juntos, sim senhor! Não é nem pra quem quer, nem pra quem pode: é pra quem faz por onde.
Eu me considero triplamente sortudo por poder olhar para o lado e ver aquela ruiva doida, caminhando comigo.
E me dêem licença que eu vou terminar de planejar aonde fazer... Ei! O por onde não é de vossas graciosas contas, eheheheh...


E pode ir se preparando Li... sexta e dia de Fetiche e fetiches!


:: Por Caco, o Sapo às 02:08 PM :: 2 comments


September 13, 2004


Considerações acerca da humanidade como um todo



Ok, já não é mais novidade para ninguém que eu, como estudante de sociologia, antropologia e política, sou absolutamente egocêntrico a ponto de já me considerar um completo sociólogo e antropólogo, embora NUNCA um político (no que, afinal, levo vantagem sobre os demais estudantes de ciências sociais, que se acham perfeitos nos três campos). Assim, não é de se espantar que eu venha agora (e mais uma vez) fazer umas análises descabidas sobre a “humanidade” (se é que tal coisa existe de fato).
Algumas análises são muito positivas, reconheço. O resto é a merda de sempre.
Boa refeição!

Mulheres Grávidas ficam mais bonitas do que o habitual
É sério. Pode reparar: mulheres grávidas, ao menos até os 4 primeiros meses de gravidez, ficam mais viçosas. A cor dos cabelos, a pele e até o sorriso são mais intensos, brilhantes. Eu penasva que só eu reparava nisso até que, muitos anos atrás, quando eu ainda trabalhava na FEBEM, fui trabalhar numa nova unidade. Chegando lá, mas que surpresa! A gata do momento era uma simpática assistente social – grávida. Das duas uma: ou a natureza trata de deixar as nossas grávidas mais atraentes (o que é absolutamente aceitável e me parece realmente correto, ainda mais quando se apóia a idéia na teoria evolucionista de Darwin), ou a parcela masculina da humanidade tem fetiches ainda mais assustadores dos que eu já pude imaginar.
Minha filha está ainda mais bonita agora que está grávida (ok, você pegou o elefante andando e não sabe nada sobre essa história de filha, neto e todo o resto... vai me desculpar, mas não vou explicar outra vez! Sinta-se livre para pesquisar meses de posts, ou simplesmente aceite que eu tenho uma filha grávida, ok?). Está mais radiante, se é que isso é possível. Tenho certeza absoluta de que o meu genro concorda comigo. Infelizmente, acredito que ele não está podendo, digamos, desfrutar tanto quanto gostaria desse acréscimo de beleza na esposa, já que a gravidez já está bem adiantada...
E não é apenas uma questão de relacionar os fatos! Outro dia entrou um grupo de moças animadas no trem. Uma, no entanto, se destacava das demais, mesmo sendo absolutamente comum. De alguma maneira, ela era a mais bonita, mesmo sem qualquer motivo aparente. Pela distância e posição em que estávamos, só pude reparar que a moça estava grávida quando fui descer do trem.
Enfim... talvez seja uma compensação! Mulheres grávidas são voluntariosas, cheias de enjôos e desejos repentinos, um humor difícil... O estudo continua em aberto.

O metrô continua um tremendo laboratório das relações humanas
E vai continuar sendo por muito tempo!
Minha mais nova observação é sobre o uso dos assentos reservados para idosos, gestantes e outras categorias. É incrível o que se pode observar fazendo infinitas viagens nos mesmos horários, acompanhando as movimentações das pessoas com uma certa freqüência. Vejam o que eu descobri:
• Usuários que não respeitam esse direito costumam sentar nesses bancos MESMO quando há outros lugares disponíveis.
• Usuários que respeitam esse direito costumam não usar os lugares mesmo quando não há pessoa alguma nessas condições (e nem outro lugar para sentar, reparem!).
• Pessoas que não respeitam esse direito dificilmente sedem o lugar, mesmo quando “psicologicamente pressionados”.
• Pessoas que respeitam esse direito oferecem seus lugares, mesmo estes sendo de uso comum. Fazem isso prontamente, tão logo avistam alguém que precise, sem esperar que algum idiota levante do lugar reservado (até porque isso dificilmente acontece).
• Quem não respeita o uso preferencial, quando o faz é de cara feia.
• Quem respeita o uso preferencial o faz com a maior naturalidade, como se virasse a página de um livro que está lendo.
• Boa parte das pessoas acredita que NÃO precisa dar o lugar para idosos, gestantes e afins se não estiver sentado em lugar reservado. Tudo bem, também tem gente que acha o Maluf honesto, fazer o que...

Trabalhos em grupo têm forte tendência a sofrer do Efeito Vou ao Banheiro
Estou surpreso com os resultados extremamente positivos dos meus últimos trabalhos em grupo, lá na faculdade.
A maioria dos trabalhos não dá em coisa boa, sofrendo do referido efeito: alguns fazem a maior força, suam a camisa, pra no final sair aquela merda. Aí é tarde, todo mundo relaxou e sobra pra uns poucos tentar limpar a coisa toda, e nunca fica bom.
Triste verdade que alguns professores parecem pouco dispostos a reconhecer.

More Michael Moore
Numa das já saudosas manhãs de frio que vínhamos tendo, fiquei absolutamente sem coragem de fazer a barba com aquela água gelada. Vesti meu casaco de esquimó, um boné e fui trabalhar. Chegando lá, completei o figurino colocando meus óculos (que já fizeram por merecer sua aposentadoria a mais de meia década). Não resistindo à piada, meu chefe me chamou de Michael Moore (hei, eu não estou gordo assim!!!).
Olha, eu fico agradecido com a comparação. O cara é felomenal (ao contrário da novela das oito, onde só se salva mesmo o pai desse adjetivo ímpar do nosso português). Estou devorando os livros dele e acho, honestamente, que precisamos de mais. De mais livros de Michael Moore e de mais Michaels Moores pelo mundo, tendo o humor e a cara de pau de mostrar os podres poderes que prevalecem nesse mundinho meia boca. O que nos leva à minha outra análise...

Nosso fim está próximo
Calma, não me tornei um ferrenho religioso alucinado e sexualmente perturbado. A coisa se comprova cientifica e empiricamente. Chutamos o pau da barraca com a Natureza faz um tempinho considerável e ela só não acertou nossos dentes com uma porrada bem dada porque é mais gentil do que realmente merecemos. Mas, pensando evolutivamente (o que nos leva a fazer contas com séculos e milênios, ao invés dos míseros dias e anos habituais), nós estamos no final da festa. Corre que os brigadeiros estão acabando.
Se dava pra salvar a situação?
Até dava, mas... o que nos leva a minha última reflexão de hoje...

Vai faltar barranco
Lembra daquele papo de que ta todo mundo querendo ver o mundo acabar em barranco para ter onde se encostar? Pois então, não se assuste: a coisa era sério mesmo. Poluição, desmatamento, violência, ta todo mundo vendo a coisa acontecer e NINGUÉM toma providência. Nem vai tomar. O ser humano é um bicho folgado pacas. É aquele funcionário que deu um duro na primeira semana de trabalho, mas depois relaxou e só fica na Internet (huuuuuuuuuuuuuum... escrevendo em blogs???). Só que a diretoria do mundo é foda, companheiro, e nossas contas já estão sendo preparadas. Aviso prévio é o caralho, chapinha! Nós vamos entrar pelo cano por justíssima causa, isso sim...


:: Por Caco, o Sapo às 07:57 AM :: 3 comments


September 14, 2004


Grandes Reflexões


“Termina nesta quarta-feira (15/9) a venda do manual e da ficha de inscrição para o vestibular 2005 da Fuvest -fundação que seleciona candidatos para as vagas de graduação da USP (Universidade de São Paulo), Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Neste ano, a taxa custa R$ 93 e o manual do candidato, R$ 7.”

Quer dizer: estou economizando este ano mais R$100,00 , estou livre do stress das provas, do calor infernal, da pressão fodida que o vestibular teima em fazer. Posso desfrutar de ter passado por isso tudo 3 anos atrás. Ah, não é lindo usar a carteirinha da USP para pagar meia entrada? Claro que, como pagamento, eu tenho que gastar mais de R$100,00 em livros e textos, passar pelo stress das provas semestrais, a pressão dos seminários...


:: Por Caco, o Sapo às 03:39 PM :: 4 comments


September 16, 2004


WC


Toy Vault Introduces New George W. Bush Plush Collectibleb
“Democrat or Republican: new plush equals a great "party" conversation piece! Created by Toy Vault, the George Bush Anime Chibi Plush Figure stands 10" tall and 4 1/2" wide. The whimsical creation is currently available for sale at www.trollandtoad.com for $19.95.

Sorry, weapons of mass destruction not included.”


Ok, cada um faz a sua leitura.
Por mim, dá para ver a coisa positivamente. O sarcasmo e o cinismo do anúncio já estão me fazendo olhar nossos vizinhos estrelados com mais esperança.
O negócio é esperar as eleições, rezando toda noite para São Michael Moore...


:: Por Caco, o Sapo às 02:21 PM :: 1 comments


September 17, 2004


Trivial é legal



Acabou que eu nem dei cá minhas opiniões sobre o que andei vendo ultimamente. Bom, ao menos não sobre o trivial... então vamos lá.

Fomos ver Chicago: O Musical e eu confesso ter gostado infinitamente mais de ver a coisa ao vivo do que pelo vídeo. Até porquê detestei o filme (para eu reclamar de um filme em que Catherine Zeta Jones mostra as pernas o tempo todo é porque realmente não valia nada – para mim, claro...). Não que Daniele Winits seja mais gostosa ou melhor atriz do que Zeta. Mas é muito mais engraçado, empolgante e impressionante aquele show de danças ao vivo. E sim, as pernas e fio dental de Dani também são um mega atrativo, um fator positivíssimo. E quando não eram as pernas de Dani, eram tantas outras coxas e fendas e decotes e belas dançarinas e poses sensuais e... ok, tudo muito bonito, sexy e plasticamente perfeito. Mas eu gostei de um MUSICAL! E teria gostado mesmo sem todos estes atrativos, vejam só.... Valeu a pequena fortuna investida.

Fomos ver A Vila. Pra variar, curti pacas o novo trabalho do senhor Noite Chá Malão. O cara é bom pacas, fim de papo. Os personagens (ao menos os principais) são carismáticos, a história te prende e o final é bem bacana. Grande parte do charme da história está, com certeza, na presença de Bryce Dallas Howard .
Esqueça preconceitos. E esqueça rótulos. Vá ver A Vila sem querer saber que espécie de gênero é. Seria terror? Ou ficção? Ou suspense? Ou romance?
Desista!
Simplesmente, é Shyamalan.

Mais trivial, impossível: fui comprar roupas. Mas o motivo é simplesmente espetacular (e morre seco que disser que é trivial, já aviso): minha filhota casa agora, neste sábado, e eu serei padrinho!!!! Aeeeeeeeeeeeee!!! Nem se eu tentasse conseguiria traduzir em palavras toda a emoção, alegria e orgulho que estou sentindo! Vai daí, tive que comprar um terno à altura da ocasião!
E mais não digo. Fica para depois da comemoração!!!


:: Por Caco, o Sapo às 04:55 PM :: 1 comments


September 22, 2004


Wonder



Eu realmente gostaria de poder dizer tudo o que senti e sinto a respeito do lindo casamento da Mône com o Cosmo. Mas fazer isso seria limitar um sentimento muito maior e muito mais fantástico do que a maioria das coisas que já senti. Bastará dizer que foi intenso, lindo e glorioso. Que fui um pai babão e emocionado. E que estou profundamente realizado por poder participar de algo tão especial...
Cosmo, Mône e o vindouro Alef, amo vocês três viu? E até a Ira já me conquistou (aka a pitbull do mal que é, na verdade, uma "poodle" gigante e gentil...)


Por outro lado, é válido lembrar que hoje se completam dois anos de mensagens minhas no Clube da Luta. Pois é, olha só como o tempo é danado!
Eu até tinha planejado algumas comemorações toscas, mas fica para depois, se é que terei saco...
Fica no ar a pergunta, será que alguém vai comemorar isso, ahahahahah?
Seja como for, eu estou me divertindo muito, numa fase realmente gratificante. Nem está doendo ter que pagar R$95,00 num livro para a faculdade, vejam só!
Eu só queria dormir um pouco mais...


:: Por Caco, o Sapo às 05:39 PM :: Add a Comment


September 23, 2004


"the quick brown fox jumps over the lazy dog"



"Estranhos, parentes e todos vocês que sofrem, aproximem-se.
Digam-me algumas palavras e derramem algumas lágrimas.
Para que as lágrimas virem uma fonte fresca, um lago, um oceano e corram para o mundo subterrâneo;
Para que os sujos possam se lavar, e os sedentos possam beber;
Para que as boas donas de casa possam amassar e assar seu pão;
Para que os belos rapazes possam pentear e repartir os cabelos."


Antes de tudo, sim, eu vou dar aquela viajada total. Vou misturar, mastigar e desinventar um monte de conceitos (e delirar uns tantos novos), como péssimo epígono que sou dos grandes nomes das Ciências Sociais. Então, se você detesta meus textos que fazem esse tipo de pseudo-reflexão científica, volte amanhã. Não que o texto de amanhã fuja muito disso...
Caso contrário, relaxe e abocanhe um pouco da minha realidade (que, como se verá, é algo bastante discutível). Como sempre, sinta-se livre para criticar, elogiar ou fazer que nem viu. E beijo nas crianças!


A questão da realidade é, para mim, algo de fundamental no pensamento humano. Ou, por outra, algo de intrincada complexidade fantasiosa. Não há a menor possibilidade de compreender a “realidade” sem um intenso exercício de abstração.
Em que se pese a compreensão de que nosso organismo é a maior ferramenta sensorial possível (e não encerra em si mesmo o nosso existir), a dita realidade é , na verdade, uma interpretação simbólica e polissêmica de estruturas culturais que, em verdade nada (ou muito pouco) tem a ver com a verdadeira face da realidade. Calma que já me explico.
Tomemos por exemplo a vida animal (QUALQUER vida animal). Os seres seguem uma espécie de rotina, muito determinada pelo instinto de sobrevivência. São capazes de momentos de descontração, com brincadeiras e afins, mas tem uma vida determinada por suas necessidades mais vitais. De certa forma, suas realidades se baseiam quase que exclusivamente na manutenção da vida. Será que podemos dizer que é exatamente isso que observamos na vida humana?
O homem não vive a realidade e sim o complexo meio cultural que ele (mais apropriadamente, a SOCIEDADE em que ele está inserido) criou. Ele vive as suas interpretações pessoais da realidade, dando valores e significados para tudo o que o cerca.
Ora, se a “realidade” é meramente uma interpretação pessoal que cada indivíduo faz do meio (e, note-se, cada um interpreta o que vê e sente de maneira particular, única), não é possível supor que saibamos ao certo o que é real, é?
É.
E talvez seja esse o problema.
A realidade, por si mesma, só quer dizer uma coisa: precisamos comer, precisamos beber, precisamos trepar, precisamos prosseguir; em suma, precisamos viver.
Só fazem parte do real as necessidades mais básicas, referentes ao instinto de sobrevivência. A manutenção da vida é a única realidade material palpável. Sobreviver é lógico, é naturalmente um objetivo central da existência, é REAL.
E é chatíssimo.
Pare e pense por alguns instantes no que você costuma fazer todos os dias. Repare na rotina que leva e tente identificar o que você vê como realidade. Pegar trem com centenas de desconhecidos para ir trabalhar? Comer cada dia num restaurante perto do trabalho, para não enjoar da mesma comida? Ver um filme antes de dormir? Ouvir uma música enquanto estuda?
Nós camuflamos todas as nossas atitudes que se referem ao REAL com símbolos que expandem seu significado, levando-o para um campo completamente abstrato, IRREAL. Particular da humanidade, por assim dizer.
Você não come pela manutenção da vida, você come porque adora aquele macarrão do restaurante da avenida. Você não transa porque precisa dar continuidade à raça humana, você faz amor com aquela pessoa especial, como um símbolo intenso do desejo mútuo. Tudo o que fazemos pode até estar vinculado ao real em sua essência, mas é completamente desfigurado pela simbologia mais geral da sociedade e pela compreensão mais particularizada que cada um tem.
O que eu quero dizer com essa porra toda?
Nós não vivemos a realidade. Nós atuamos no teatro montado por nossas complexas simbologias existencialistas. É através delas que nos relacionamos com o real, sem no entanto abraçar toda a sua simplicidade e verdade.
Não me entendam mal, eu não estou criticando a nossa irrealidade. De fato, eu sou um de seus maiores fãs confessos. Só não me contento em dizer que a realidade é o que estamos vivendo, porque não é.
A verdade é que este pé na irrealidade é o sustentáculo da sociedade, da moral humana como um todo (ao meu ver, claro). É por causa dele que ainda nos levantamos todos os dias para ir trabalhar, para ir estudar, para seguir as estruturas estabelecidas, ao invés de seguir nossos instintos primitivos. E isso é maravilhoso, porque é exatamente isto o que nos dá uma experiência existencial tão rica, tão profunda e complexa. O prazer de se tomar um sorvete, de se ver um filme, de caminhar pelas folhagens ou de se beijar uma boca macia e levemente úmida, essas sensações deliciosamente inexplicáveis são preciosidades que estão totalmente ligadas à nossa experiência irreal, por mais que se façam através do real (através dos nossos corpos). São ações que no real não possuem serventia ou função, mas que ganham uma vastíssima carga emocional na nossa irrealidade (que teimamos em chamar de realidade, como já sugeri).
Talvez seja por isso que tantos de nós tenham medo da morte, ou busquem algo na religião. Não pela perda do corpo (já que ele é uma ferramenta e sabemos disso, mesmo que inconscientemente), mas sim pelo medo de perder a fantástica criação do irreal. O corpo obedece às muitas necessidades do real e é capaz de nos dar experimentações em estado bruto, lapidadas pela nossa imaginação (essa sim a nossa essência romântica), nossa irrealidade. E isso é o que possuímos de mais precioso.
Mas não vamos confundir as bolas: sim, eu amo o nosso irreal e acredito que é extremamente valioso possuirmos isso. Mas a importância do irreal está muito mais em ser uma expansão agradável do real do que uma fórmula rígida que comanda nossa existência. Por que somos animais sonhadores, inegavelmente, mas ainda assim ANIMAIS. E mesmo o nosso fantástico uso do irreal precisa se adaptar as fronteiras do real, no sentido de que jamais deixaremos de ser animais procriando e expandindo, como é natural aos seres vivos.
A irrealidade é, por assim dizer, um fabuloso artifício de sobrevivência.
Achou triste pensar assim? Pois não acho que deveria!
A plumagem do pavão serve quase que exclusivamente para atrair as fêmeas. Mas isso não diminui nem enfraquece a beleza singular que sua cauda possui.
O que se pode tirar disso tudo então?
Cada um faz suas próprias reflexões (ora, não vamos agora querer uniformizar nosso pensamento, não depois de um elogio tão intenso à nossa irrealidade e visão particular).


Mas eu acho que o grande lance é entrar em sintonia com essas coisas todas. Reconhecer que somos animais sim, mas animais complexos e únicos (como todo e qualquer animal que se pense).
Animais sim. Capazes de sonhar. E caminhar na realidade enquanto deslizamos delicadamente por nossos incontáveis sonhos, símbolos e irrealidades...



:: Por Caco, o Sapo às 02:49 PM :: Add a Comment


September 27, 2004


"Escolhi meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim um louco e santo. Deles não quero respostas, quero meu avesso. Quero-os santos, para que não duvidem dos diferentes e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão estéril."

Puxa, e não é que esse tal Wilde sabia mesmo das coisas?
Eu mesmo dou cá permissão para roubar as palavras de outros e as faço minhas como um gesto de respeito e concordância.
Um abraço ao Oscar, que pensou por mim, e um beijo na TT, que me poupou o trabalho de procurar.
Preguiçoso?
Ok, não se esqueça que hoje é segunda, vai...


:: Por Caco, o Sapo às 01:34 PM :: 3 comments


September 29, 2004


Sasquatch



Eu sou um animal violento. Sou capaz de rasgar a carne do meu inimigo com os dentes; de vazar-lhe os olhos, enfiando meus polegares fortemente em suas órbitas, como se esmagasse uvas maduras; de fraturar-lhe o crânio com meu joelho, ou batendo repetidamente com uma pedra ou qualquer outro objeto mais a mão; posso atravessar seu estômago só com meus dedos, enquanto urro e arfo; posso banhar-me em sangue, rosnando enquanto espero meu corpo se acalmar novamente.
Eu sou assim. Como qualquer outro ser humano. Como você, sua mãe ou seu sobrinho. Tal e qual, pode crer.
Basta apenas que algo nos faça perder totalmente o controle.
A violência, uma faceta bem humana da agressividade inerente aos animais, é inata. Você tem, eu tenho. Claro, cada um tem seus próprios recursos e “botões” que acionam “a fera” (fera por que? O que nós fazemos foge bastante do que os outros bichos fazem, as verdadeiras feras... nós somos bem piores). Mas, no final, cada um de nós é uma Bomba H esperando o momento certo para explodir com metade do mundo.
Pra que diabos negar isso?
Você pode estar pensando que não é bem assim, que mamãe, lá na cozinha com seus afazeres, usando o avental cor de rosa que vocês deram no Natal, ah, essa figura tão terna não pode ser violenta! Bem, deixe que alguém ameace a vida de alguém que ela ama. Deixe que alguém lhe faça algo impensável, que o sofrimento ou a angústia se apossem daquela doce fisionomia e lhe dê a oportunidade de revidar e veja qual será o resultado. Os Vikings parecerão crianças no jardim de infância (que, a propósito, já é um lugar bem violento se você quer mesmo saber...).
Violência, meus caros, é uma das assinaturas da humanidade. É, aceitem isso de uma vez!
Claro, isso não significa nem justifica absolutamente porra nenhuma!
Mas é o primeiro passo para acertar as coisas...
Somos violentos. Mas não podemos nem devemos ser! Temos que lidar com essa fúria natural, com esse potencial destrutivo, com essa carga herdada por cada mulher e homem que já passou por essa bola errante. Temos que pisar no freio.
Lidar com a violência é a solução, não negá-la! Puxa, é tão fácil resolver isso...
Vá praticar um esporte, vá jogar vídeo-game, vá ler gibis... vá fazer sexo!
Caramba, é isso mesmo, vá fazer muito sexo!
Encontre uma parceira (ou parceiro, deixe de ser imbecil), corteje-a e, se ela aceitar, faça sexo até que suas partes íntimas estejam inutilizadas até para excretar.
Já pensou se o pessoal do oriente médio fizesse mais sexo? Sexo consentido, pelo amor de São Francisco de Assis, entendam bem!!! Nada de violência, de imposição!
O problema da humanidade não é a violência, é a falta de mecanismos que lidem adequadamente com ela.
(eu volto a dizer que sexo já é uma grande ajuda: quem é que vai perder tempo brigando no trânsito após foder – ou ser fodido, deixe de ser imbecil – a noite inteirinha, tendo estado com aquela delícia de pessoa que você ama e deseja tanto???)
E nem me venha com aquela história de que a culpa é dos filmes, quadrinhos e jogos virtuais (eu já não disse para você deixar de ser imbecil?). Qualquer ser humano é potencialmente capaz de produzir as maiores barbaridades. É a estrutura educacional-cultural (o tal do caráter) de cada um, somada às inúmeras válvulas de escape disponíveis, quem vai ditar o modo de operação do indivíduo.
Não negue sua violência, abrace-a!
Se você negá-la, ela vai rondar seus sonos toda noite, suas atitudes todo dia. Quando você menos esperar, ela vai te dar o bote, te dominar, cravar seus dentes no seu pescoço. Você vai sujar suas mãos e algumas machas não vão sair nunca mais.
Se você, pelo contrário, abraçar a danada, bom, aí quem manda é você meu chapa! É você quem é inteligente. Sabe bem onde ela está e pode lhe dar uma boa mordaça. E quando ela estiver a mil, você põe a violência na coleira e sai com ela para dar um passeio, ver o mar, ver um filme, ver uma luta de boxe. Você pode mostrar qual é o lugar dela.
Eu acho que isso já resolveria uma parte significativa dos casos de violência que vemos. É um abuso, um absurdo que isso tudo aconteça com tanta freqüência. Dá vergonha de ser humano quando eu vejo gente destroçando gente (psicológica ou fisicamente... em qualquer nível!)


Mas, pra mim, o sexo continua despontando como campeão em solucionar problemas...



:: Por Caco, o Sapo às 12:35 PM :: 1 comments


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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
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.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


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Os gráficos e a edição em php e css foram feitos inteiramente por com o auxílio do Adobe Photoshop 7.0 e Dreamweaver 6.0.

O gráfico é uma montagem com várias fotos do filme Fight Club. A blogagem é garantida pelo Tabulas.


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