Entries for April, 2005

April 5, 2005
Jo ANTROPOLÓGICA

Sabe, tem algumas coisas muito interessantes nessa vida.

 

Bom, claro, isso é bastante óbvio, mas é uma coisa que não costumamos pensar muito. Na preciosidade e brevidade da experiência humana. E na vastidão de possibilidades de experimentação.

Não é engraçado o quanto pessoas tão próximas, vivendo segundo as mesmas regras, no mesmo ambiente, podem ser tão diferentes? E, em contrapartida, não é surpreendente notar que kilômetros de distância podem separar fisicamente as pessoas, mas nem sempre seus ideais, sua postura, sua argumentação, seu modo de viver?

Sejamos francos, é muito difícil separar o joio do trigo na Internet. O descartável e o precioso andam misturados, confundindo-se numa massa disforme e gigantesca. Posso me considerar um cara de sorte por encontrar algumas dessas jóias raras pelo caminho.

Eu já perdi a conta de quantas brigas sem o menor nexo nós tivemos. Em número infinitamente maior, as risadas que demos são ainda mais difíceis de computar. A distância física, até agora intransponível, parece até ressaltar a compatibilidade intelectual, o carinho mútuo. O passar do tempo me fez aprender muito sobre ela e mais um tanto sobre mim mesmo. Talvez porque, quando se gosta assim, o crescimento interior é inevitável. A gente aprende com os próprios erros e com os do outro. E a gente descobre que gostar de alguém é a mais misteriosa e mais fantástica experiência da existência humana, mesmo quando essa pessoa é muito mais um punhado de letras brilhantes do que uma presença física na vida da gente.

Porque, acho que todo mundo já sabe, estar presente é muito mais do que meramente estar do lado. É, acima de tudo, estar inserido nos sentimentos do outro, de forma verdadeira e completa.

Jô, feliz aniversário!

Adoro você, sua tonta...




:: Por Caco, o Sapo às 09:19 PM :: 1 comments


April 12, 2005


Aquele Grande Romance Americano

Então, de tanto ouvir dizer que talvez eu escreva bem, decidi escrever um grande romance. Aliás, corrijo: Um grande romance não, O ROMANCE. O melhor livro que a humanidade teve a sorte de conceber. Simplesmente, a obra máxima da cultura humana, repleta de sentimentos e sensações requintadas, poderosas, invencíveis. Meu nome na história da civilização.

Um escritor precisa de uma idéia chave. Isso eu tinha. Por sinal, eu tinha várias idéias fantásticas que, bem aproveitadas, renderiam muitos romances arrebatadores.

Um escritor precisa de referências. Minha bagagem cultural, extraída de muitas e muitas leituras, teria que servir.

Um escritor precisa ter um ar intelectual convincente, carismático ao mesmo tempo em que misterioso. Só um bom cirurgião plástico (ou um fotógrafo melhor ainda) pode dar algum resultado.

Um escritor precisa de uma musa inspiradora. E mais, de um lugar inspirador para escrever. Eu tentei de tudo. De Isobel Marion, passando por Elvira, até Joanna D´Arc. Tentei escrever em casa, no jardim do Ipiranga, no topo do prédio da namorada.

Nada.

Talvez porque eu não escreva tão bem assim.

Talvez porque as muitas idéias chave representem não um grande conteúdo, mas uma costura bizarra de temas díspares.

Talvez, aliás, queiram dizer que são pensamentos absolutamente inconclusivos, estéreis.

Talvez porque minha bagagem cultural seja um vôo rápido, rasteiro e superficial sobre a verdadeira obra cultural da humanidade.

Talvez porque meu ar intelectual seja uma caricatura moldada pela incapacidade levar as coisas com a devida seriedade, misturada com a bizarra expressão que um sorriso sardônico contínuo costuma deixar. Ou seja cara de idiota mesmo.

Talvez porque musa inspiradora alguma seja capaz de energizar qualidades inexistentes. Aliás, esse papo de musa não só é brega como é ridículo: nunca vi beleza demasiada inspirar muito mais do que um esporte solitário num adolescente cheio de espinhas e testosterona.

Talvez porque lugares calmos e silenciosos apenas nos lembrem o quão vazia pode ser uma vida humana (o que, convenhamos, não é nada inspirador). Aliás, deve ser difícil reconhecer esse vazio permeando nossa própria existência.

Talvez porque sentimentos requintados sejam apenas sentimentos requentados.

Ou talvez porque essa merda toda de Romance Definitivo seja uma indescritível tolice, uma dessas lendas urbanas de gosto duvidoso.

Em tempos como esse, em que Dan Brown é tido como um grande escritor, quem há de duvidar?

Por via das dúvidas, recapitulo esses 3 anos de blog e lanço um livro com os melhores textos. Vai ser um lindo volume de duas páginas.

Capa e contracapa.

 

E sim, eu comprei, li e gostei de “O Código...”. Mas Dan Brown é um escritor amador. Eu sei o que estou falando, eu também sou um!

 


:: Por Caco, o Sapo às 08:15 PM :: Add a Comment


April 14, 2005


Quando Elton John lhe empresta

um par de óculos e seu piano


It's sad, so sad
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's sad, so sad
Why can't we talk it over
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word

 
 
E acontece de um dia você acordar e descobrir que se transformou no marido da Julia Roberts. Só que é naquele filme terrível, “Dormindo com o Inimigo”.
Entre confuso e frustrado, você cai naquele sentimentalismo brega que acomete todos os que tem perturbada sua vida amorosa e sai por aí esbarrando em músicas românticas que, igualmente bregas, dizem exatamente como você se sente (e aqui cabe um aviso: não acredite em destino; músicas românticas tocam o tempo todo, o fato de aparecer uma que te cabe como uma luva é muito mais predisposição sua do que magia cósmica permeando sua vida, vá por mim...).
Eu, pessoalmente, prefiro os clássicos. Quer se afogar em melancólica tristeza de origem romântica? Pule de cabeça na voz de Johnny Rivers em You've Lost That Lovin' Feeling
que é batata: horas e horas deprimentes, analisando anos de relacionamento, tentando entender aonde você pode ter errado. Mas, claro, Johnny é esperto e te dá uma fagulha de ânimo, deixando claro que a esperança é a última que morre (é por essas que eu acho tão interessante aquela personagem dos quadrinhos, a Lady Death: o nome dela é Hope. Ironia também se faz nos quadrinhos...) e que o amor tem resgate quando se quer.
Mas você também pode ficar com o Phil que não faz feio. Sim, porque o Phil é brega, mas é cool. O cara foi baterista e vocalista do Gênesis, então você pode chorar as mazelas da vida ao som de Against All Odds
e dizer que o cara é um marco (positivo) na música mundial. E, bem, ele parece com o ator Robin Williams. Puxa, quem não gosta do carismático Robin Williams
?


Aí você percebe que

How can I just let you walk away, just let you leave without a trace
When I stand here taking every breath with you, ooh
You’re the only one who really knew me at all

É mesmo uma maneira bastante direta, embora nada nova, de dizer que odeia estar de mãos atadas perante tudo isso e que não se conforma com o rumo das coisas.
 
Daí vem

How can you just walk away from me,
When all I can do is watch you leave
Cos we’ve shared the laughter and the pain and even shared the tears
You’re the only one who really knew me at all

Que deixa ainda mais clara essa insatisfação, a dor que isso causa, a exata emoção de que é seu mundo quem está se despedaçando com essa merda toda.
 
O que nos leva à

So take a look at me now, oh there’s just an empty space
And there’s nothing left here to remind me,
Just the memory of your face
Ooh take a look at me now, well there’s just an empty space
And you coming back to me is against all odds and that’s what I’ve got to face

Que é a melhor maneira de mostrar que você está em frangalhos. Quando você diz So take a look at me now, não há a menor dúvida de que a imagem é deprimente, é um leve resquício do ser humano que você já foi, caminhando tolamente, sem rumo definido. E esse vazio gigantesco que ameaça devorar o restinho que sobrou, nossa, não dá pra ser mais específico que isso.
 
Naturalmente, você afunda de vez com

I wish I could just make you turn around,
Turn around and see me cry
There’s so much I need to say to you,
So many reasons why
You’re the only one who really knew me at all
 

E se arrasta com gosto na lama com

So take a look at me now, well there’s just an empty space
And there’s nothing left here to remind me, just the memory of your face
Now take a look at me now, cos there’s just an empty space

E perde de vez qualquer senso de amor próprio quando sepulta sua vida nessa demonstração quase tola de devoção:

But to wait for you, is all I can do and that’s what I’ve got to face
Take a good look at me now, cos I’ll still be standing here
And you coming back to me is against all odds
It’s the chance I’ve gotta take

Take a look at me now


Por isso mesmo, talvez seja melhor ficar com o Johnny. Ao menos você pode segurar a onda com muito menos humilhação gratuita. Aliás, é muito mais o caso atual, na verdade.
Não é garantia de final feliz, mas é o melhor que dá para se fazer.
Até porque, final e feliz são palavras que só andam verdadeiramente juntas em contos de fadas.
 
 


You never close your eyes anymore when I kiss your lips
And there's no tenderness like before in your finger tips
You're trying hard not to show it
But baby, baby I know it
You've Lost That Lovin' Feeling
Oh that Lovin' Feeling
You've Lost That Lovin' Feeling
Now it's gone gone gone oh oh oh
There's no welcome look in your eyes when I reach for you
And girl you're starting to criticize little things I do
Ooh, it makes me just feel like crying (baby)
'Cause baby something beautiful's dying
You've Lost That Lovin' Feeling
Oh that Lovin' Feeling
You've Lost That Lovin' Feeling
Not it's gone gone gone oh oh oh
Baby baby I get down on my knees for you
If you would only love me like you used to
(If you would only love me love me)
We had a love, a love that you don't find everyday
(A love you don't find)
So don't don't don't let it slip away (away)
I said baby
Baby
Baby
Baby
I need your love (I need your love)
I need your love
So bring it on back (bring it on back)
Now bring it on back
Now bring it on back
You've got to bring back that lovin' feeling
Oh that lovin' feeling
Bring back that lovin' feeling 'cause it's gone gone gone
oh oh oh
Bring back that lovin' feeling
Oh that lovin' feeling
Bring back that lovin' feeling 'cause it's gone gone gone
Bring back that lovin' feeling
Oh that lovin' feeling
Bring back that lovin' feeling 'cause it's gone gone gone
Bring back that lovin' feeling
Oh that lovin' feeling
Bring back that lovin' feeling 'cause it's gone gone gone
 

 

Eu sou a agonia incipiente no lado esquerdo de Jack

 


:: Por Caco, o Sapo às 02:40 AM :: 3 comments


April 18, 2005
Meia Bomba

Tem post hoje não.

Meu pai está no hospital, sofreu 2 complicações cardíacas em 3 dias.

O mais simpático que eu posso dizer hoje é que, já que elefantes não voam, é o Dumbo quem anda sobrevoando a minha cabeça.

Essa merda toda é grande demais pra ser obra de pombos (aka Ratos com Asas, como bem definiu a querida Marla).

Volto quando minha boca parar de espumar.


:: Por Caco, o Sapo às 06:53 PM :: 5 comments


April 29, 2005
Back Again

Agora está tudo certinho.

Após uma temporada nas UTIs de São Paulo (desconfio que meu pai esteja mesmo fazendo um Tour pelos hospitais da cidade), o senhor Father Frog voltou para a lagoa, devidamente medicado.

A despeito de estar apenas com 60% da atividade cardíaca normalizada (o ventrículo esquerdo simplesmente chutou o balde, limpou a mesa e decidiu por uma aposentadoria prematura), meu pai está estável, em casa, com direito a retornar ao trabalho. E sem a necessidade de uma cirurgia, o que muito me agrada saber!

Agradeço profundamente a torcida de todos, o apoio e o carinho.

Voltamos agora com a programação normal...

Maduro, como sempre:

Você já viu Sin City, filme fantástico, com uma fotografia arrebatadora, que só estréia aqui em junho/julho? Eu jaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá! (valeeeu Cosmo!!!)

Você foi ver o maravilhoso show do Placebo aqui em São Paulo, com direito a ficar a um metro de distância da grade? Eu fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuui! (valeu Paulão! E Vê, eu tinha CERTEZA que era você, foi mal...)

Você trabalha na parte bonita do centro de São Paulo, com direito à vista para o Theatro Municipal e a ver o Serra Trabalhando? Eu siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! (bom, o Serra trabalhando eu não vi, não... helicóptero decola, helicóptero pousa, mas trabalhar mesmo, o careca não parece interessado... que r chegar a ver, por favor, tire uma foto)

E dá aqui essa bola que ela é minha e eu não quero mais brincar!


:: Por Caco, o Sapo às 10:12 AM :: 1 comments


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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


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With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
you kill & dine, in cold sublime
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