Entries for June, 2005

June 1, 2005
Pilha

Honestamente, pra mim hoje tudo é urgente. Trabalho, faculdade, vida pessoal, tudo é pra ontem, e correndo.

Nem é o caso de dizer que são as “pressões externas” que estão fodendo com a minha rotina. Fosse isso, dava até pra dar de ombros em alguns casos.

Não.

A Pressão é minha mesmo. Sou eu quem está, aos berros, exigindo mais rapidez, mais agilidade, mais eficiência.

Não sei, é como um balde de café para uma criança de dois anos. Rápido, rápido, rápido.

E falta tempo, viu? Se me cobrarem todas as promessas, todas as visitas, telefonemas, e-mails e “ois” que estou devendo, vou a falência.

Tenho lá minha teoria de como diminuir o ritmo. Vamos ver. Depois do final de semana, constato (ou não) se sou assim tão  simples de se resolver.

Eu sou o grito de putaqueopariu que nasce da martelada bem dada no dedo de Jack


:: Por Caco, o Sapo às 01:41 AM :: 3 comments


June 3, 2005
Minha vontade é uma só: envenenar os sete buracos do seu corpo

 

"Mas está errado, tudo do avesso,

Mundo comprado por qualquer preço

Queimam os dentes que rangem

Milhões de vidas mal vividas"

Infierno

 

Bêbados, com ópio enfiado no rabo, pelados e molhados, bem no alto da montanha, com a neblina por todos os lados. E girando sem parar, até cair com o rosto no chão, afogados na própria saliva. Assim está a maior parcela da humanidade. Consciente de porra nenhuma.

Tudo é vendável, tudo é comprável, a validade é sempre curta, nada é reciclável.

Coloque na boca.

Mastigue.

Mastigue mais, até que o sabor não seja mais do que uma vaga lembrança.

Cuspa fora.

Esqueça.

Compre mais.

Por que não? É exatamente o que estamos fazendo com você. E comigo, e com nossos valores, e com o que nos interessa.

Com o que não nos interessa, também.

Com aquilo que nem sequer sabemos que existe.

A vida, que já é curta demais para se fazer algo verdadeiramente importante, fica menor e mais solúvel com a água morna com a qual nos banham todos os dias, horas, minutos, segundos.

Poluição visual não é um incômodo. É um padrão.

Os berros da tv, pegando compradores pelo colarinho, enfiando suas parcas economias na “última grande promoção do ano” de toda semana.

Nossa vida, “o desconforto de um mero investimento”.

Ninguém sabe de nada. Nem tem muito como saber.

A maioria não nasceu antes que Che, Jesus, Nazismo, Grant Morrison  se tornassem  (ou melhor, fossem transformados em) marcas, produtos consumíveis, produtos para as massas.

Che é um carinha numa camiseta.

Jesus é um carinha em nome de quem posso ser um idiota, ou um filho da puta explorador.

Nazismo é uma coisa aí que cai na prova. Ou um jeito de formar uma turminha bacana  pra bater nos que gastam menos tempo exercitando os músculos e mais tempo exercitando o cérebro. Ou ainda um jeito fácil de culpar os nordestinos pelo emprego que não tenho (e nem procuro ter).

Grant Morrison... não é o cara que fez uns filmes aí com os heróis da literatura americana?

É tanta ignorância rançosa que fica difícil até respirar.

Cada nova tolice derrubada faz nascer outras duas no lugar.

A Hidra da Hipermodernidade, pasteurizada para que as imperfeições sejam tomadas como inovações.

Essa geração da pseudofilosofia Matrixiana, do templo das Lan Houses, do deus do 0101, da mente vazia programada para apertar botões sem saber o que fazem, de olhar para a tela sem lembrar de enxugar a baba escorrendo pelo queixo.

É a nossa geração. Eu e você. E os filhos que daqui nasçam.

Uma civilização de analfabetos funcionais.

A epidemia da ignorância infectando cada exemplar da espécie. E passando para as próximas gerações, ecrustrado no DNA, como uma mutação maligna inevitável.

As vezes, alguém nota que algo está errado. Terrivelmente errado.

Profundamente fora do lugar.

A sensação inequívoca de que a vida é completamente diferente do que teima em repetir o nosso cotidinano (ou, por outra, poderia ser diferente).

Mas esse incomodado neanderthal que abandona a Cavena nem chega mais a ver o que há do lado de fora.

Até a morte dolorosa do Mito nos foi negada. Ninguém vai voltar lá de fora dizendo que o que vemos são apenas sombras, que o real está lá e tem cor e sabor.

Não.

Agora, já caímos mortos só ao ver a luz do Sol no exterior da Caverna. Morremos confusos e cegos.

E sem saber o porquê.

Qualquer porquê.

E, mesmo assim, mesmo mergulhados na mais fétida latrina das (i)moralidades que a sociedade de R$1,99 pôde produzir, conseguimos dar vazão à tão determinada teimosia humana e acreditar que ainda dá.

E tem que dar.

Porque até o mais cético dos pessimistas encontra forças quando vê aquela pequena criaturinha, toda encolhida, agarrando seu cobertorzinho e dormindo absolutamente tranqüila, nos seus braços.

Tão inocente, ainda incapaz de focalizar a atenção em algo por mais de dois minutos, tão confiante na sua proteção. Tão crente de que VOCÊ representa segurança.

Tem que dar, porque você pode ter sido incapaz de mudar o que havia a sua volta quando era o seu momento, mas não pode deixar as coisas assim para esse novo alguém.

Tem que dar, porque ele lembra a você de quando essa inocência também era a sua.

Tem que dar porque, caramba, você se nega a ir pro fundo da terra sem poder dizer ao menos um “eu tentei ao máximo”.

Tem que dar porque sim. Porque você é teimoso demais, idiota demais, mas é determinado também. Porque, foda-se, se é para apostar as suas fichas num último jogo, que sejam todas elas e no Grande Prêmio.

Porque você SABE que, no meio de tudo isso, há aqueles que valem realmente a pena, aqueles que você ama profundamente e por quem fazer qualquer coisa é absolutamente natural.

Sim, nos herdamos a tragédia do passado. E estamos construindo o nosso presente com esse lixo. Mas o futuro, esse pilantra ilusório, ainda podemos dominá-lo.

Ainda podemos pegar o que temos, mesmo esses vícios intragáveis, e usá-los a nosso favor.

Cada dia menos, mas ainda dá.

Eu posso. Você pode.

Eu quero.

Eu sou o cheirinho macio de neto na camiseta de Jack


:: Por Caco, o Sapo às 06:47 PM :: 9 comments


June 24, 2005
"Sua ligação é muito importante para nós"

Fazer a prova e correr para o ponto. Esperar 47 minutos o ônibus.

Pegar o ônibus. Metrô. Trem. Outro ônibus.

Banho, comida, sono.

Despertador.

Lá vai ônibus. Trem. Metrô. Elevador. Atualmente escada, pra ver se perde uns quilos não muito bem vindos.

Computador, texto, texto, computador, conversas paralelas.

Corre, ônibus.

Prova again.

Só perto do final de semana é que fui perceber que esqueci de respirar.

Mas não vai dar tempo. Tem trabalho de faculdade, trabalho do trabalho...

Semana que vem, quem sabe.

Vou conferir na minha agenda.

 


:: Por Caco, o Sapo às 10:16 PM :: 3 comments


June 27, 2005
Lulalá Reloaded: Lula Lelé

Não que eu ainda estivesse confiante, mas quando o proeminente Salomão Schvartzman diz, em seu Diário da Manhã (Cultura FM 103,3 todos os dias às 8 horas da manhã, altamente recomendável para quem tem cérebro e bom humor) que espera ver a turma do Pânico (você sabe onde e quando, assista por sua  conta e risco) invadindo Brasília e obrigando nosso presidente a calçar as Sandálias da Humildade, em represália às suas últimas declarações, ações (e a falta delas), a gente vê que tem coisa demais fora dos eixos.

Do jeito que a coisa vai, a estrela do PT virá estampada em narizes de palhaço ao invés de broches.

Ao menos continuará vermelha...

 


:: Por Caco, o Sapo às 09:45 AM :: 5 comments


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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


Clube da Luta, por Caco
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Way out in the water, see it swimming
With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
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