Entries for November, 2005

November 8, 2005
Só que não era a Bárbara Borges...

Virou festa: a Globo prometeu um beijo homossexual e, na hora “H” deu para trás (muito apropriado).
Beijo homossexual, convenhamos, não é novidade. As mocinhas fizeram isso em outra novela e o fato até ajudou as vendas da Playboy de uma delas.
Aliás, e daí?
A Globo queria uma polêmica e a audiência bombando, mas a verdade é que um beijo homossexual não é nada de mais, nem deveria ser.
É beijo.
É língua com língua.
Duas pessoas que se gostam externalizando o sentimento.
Na madrugada de ontem, trocando de canal, vi os pastores da Universal debatendo o tema (de uma forma muito engraçada, aliás, ainda que não proposital: na tela ao fundo, iam rolando cenas da comédia “Será que ele é?”, enquanto os pastores  falavam).
Fizeram várias entrevistas com o povão na rua, perguntando se o tal beijo não rolou por causa do preconceito ou se é porque seria muito nojento. Você só via um bando de machões dizendo “ah, é porque é muito nojento, claro!”.
Aquilo foi me irritando. Eu poderia trocar de canal, ou desligar aquela bosta. Tudo o que eu queria, no entanto, era ligar para eles e colocá-los, ao menos, numa saia justa.
Não precisei.
Ligou um sujeito que estava morando nos EUA.
Acho que, pela primeira vez, o programa honrou o nome (“Fala que Eu Te Escuto”, campeão das piadas quando você vai perguntar alguma coisa para alguém que se acha divertido).
O rapaz disse ter nascido em uma família evangélica, ter freqüentado a Universal desde sempre, ter sentido as “graças de deus”. Tudo nos conformes.
Mas o cara era gay. Estava acompanhado da Vanusa, da Cláudia e outras mais.
O Pastor mandou abraço para elas, repensou e perguntou.
Pois é, eram outros transexuais.
O cara falou, ainda que um tanto confuso, sobre tudo o que passou. Completou fazendo perguntas inteligentes para os pastores.
Silêncio, pigarros, confusão, troca de pastor falando.
Rendidos. Sem conseguir se defender.
E olha que o cara foi super educado. Queria saber como é que ele, tão fiel, tão próximo de deus, era homossexual. Que porra de “espírito profano” é esse que domina um cara tão certinho?
Quase dava pra ver os pastores desesperados, consultando Bíblia e produção.
O pastor lembrou que homossexualismo não é doença. O gay emendou que não poderia ser algo espiritual também.
O gay disse que o problema do brasileiro é o machismo, porque as meninas se beijaram, mas os caras não podem. O pastor emendou com um silêncio desconfortável.
Arremate final: “e você, pastor. Qual a SUA opinião sobre o tal beijo?”
Sorriso amarelo, falta completa de jeito. “Depois eu te falo.”
Desligada a ligação, claro, uma “lição sobre o contato com deus”.
Oração não salva, se você não “aceitar o caminho de deus”.
Em outras palavras, gay, se você é bicha não adianta dizer que sentiu deus, deve ter sido o diabo te tentando. Se fosse deus, tu não era veado, morou? Simples assim.
Eu não sou fã do Pepeu Gomes, mas se deus é menina e menino, então que cada um cuide de sua sexualidade em paz e numa boa.
Beija quem quer beijar, vê quem quer ver.
Porra, peladas na tv tudo bem, mas duas pessoas apaixonadas não?
Aliás, eu beijo a minha namorada na rua, em qualquer lugar. Nada mais justo que todo mundo tenha esse direito.


Religioso eu não sou. Mas tenho lá minha fé.

Ainda assim, se deus é um cara barbudo que não tolera dois iguais que se amam, ele que vá pro inferno.

                                           

:: Por Caco, o Sapo às 06:38 PM :: 5 comments


November 24, 2005
C.Q.D. (ou Q.E.D., para os "cultos")

Paris Hilton.

Ok, ela outra vez (só mais essa vez).

Rica, né? Dizem que bonita.

Acreditou em Papai Noel até os 17, garante o IG (na verdade, o "site" internacional FemaleFirst).

Magoada, afirmou:

"- Uma pessoa malvada me contou que não existia Papai Noel. "

Mesmo que eu desejasse muito dizer alguma coisa, não há a menor necessidade.

Rir ou chorar, muito, eis aí as minhas opções...

                                            


:: Por Caco, o Sapo às 09:28 PM :: 2 comments


November 25, 2005
“Qui si fô da vontadi di deus, será!”

Bom, mais do que nunca, não terei “Papas” na língua.

A hipocrisia doentia que assola a igreja católica é repugnante (não se equivoquem: esse não é um privilégio exclusivo dela; igrejas desprovidas de qualquer caráter humanitário decente são o grosso da matéria –fecal – que encontramos por aí; raros, quase milagres, são os locais espiritualizados – seja lá o que isso queira MESMO dizer – que fazem ou pensam algo de útil, no que se refere ao coletivo).

João Paulo, ainda que sempre um Papa (e, por isso mesmo, protetor simbólico máximo dos conceitos e preconceitos da igreja católica), tinha lá seu carisma. Era, de certos ângulos, um cara esperto. Não era revolucionário, não se enganem, nem desejava modernizar a igreja porque achasse mesmo que ela precisasse ser modernizada.

Não.

Ele apenas sabia que, para ganhar fiéis, é preciso abrir mão de algumas teimosias, de algumas regras pouco (ou nada) funcionais.

Foi um bom papa.

Era, afinal, POP.

Mas, se o POP não perdoa ninguém, o que se dirá deste novo Papa? Não perdoa nada.

Muito menos o bom senso.

Essa criatura ranzinza e visivelmente desprovida de qualquer apelo, de qualquer carisma, vem apresentando um rendimento medíocre e ofensivo. Ao que parece, ele sofreu do Bug do Milênio (e só ele), zerando tudo. Não ficarei surpreso se ele apoiar a volta do cinto de castidade.

Sua novidade (ou, por outra, a novidade do Vaticano) é o veto à cantora Daniela Mercury (justo ela, tão bonitinha), que cantaria no concerto de Natal do Vaticano.

Vejam bem, estamos falando de Daniela Mercury.

Aquela moça simpática.

Aquela que já cantou:

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho

Pois é.

Mas e o motivo de tal veto?

Daniela Mercury (de quem não gosto apenas pelo lado musical) cometeu um crime hediondo:

Ela aceitou ser garota propaganda da Campanha pelo Uso de Preservativo para evitar o contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

Olha, ela não foi lá e disse “hei, vamos usar camisinha para ter um controle de natalidade eficiente”, nem “hei, camisinha lá e planejamento familiar, bando de fode-dorme do caralho”.

Nada disso.

O objetivo era ajudar o pessoal a continuar vivo. A não alimentar essa praga.

O vaticano não quer esse tipo de gentinha cantando no seu concerto de natal.

Seria vergonhoso...

Os ministros Saraiva Felipe (Saúde) e Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), lembrando adequadamente que combater essas doenças é OBRIGAÇÃO DO ESTADO, vieram em defesa de Daniela. Nilcéa chegou a dizer que O Vaticano pode não querer a Daniela Mercury em um de seus shows, mas queremos que ela continue apoiando, fazendo a campanha de combate à transmissão do HIV no nosso país, estimulando as pessoas ao uso de preservativo".

Acho que nem precisava, mas foi bom alguém por lá mostrar solidariedade.

Desencana, Dani.

Como você canta, na mesma música que mencionei:

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós

E

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar

Se for da vontade de deus que você, por ter agido como cidadã, fique fora da festinha do Vaticano...

Oras, que se foda a vontade de deus!

                                               


:: Por Caco, o Sapo às 06:30 PM :: 5 comments


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