Entries for April, 2006

April 11, 2006
Punk sujo do CarValho!!! (ou Pogo and Me)

A primeira vez que li esse texto, ri um bocado e me identifiquei com certas coisas. Não que eu seja um fã de pogo, até evito algumas rodas de pogo em shows porque eu pago é para curtir o som da banda. Mas eu acredito que tudo o que eu aprendi a dançar, nesses longos anos de vida, foi pogo e algumas variações do mesmo. é incrível, muda o ritmo, muda o estilo, o cantor, mas eu não mudo meu estilo "só-sei-pogar-amigavelmente" de dançar...

E Não, eu não pedi pra publicar isso aqui. ficar pedindo é coisa de frutinha, não de punk!

Há mais de 10 anos fui assistir o meu primeiro show punk e desde então sou um freqüentador assíduo (às vezes nem tanto) de shows de punkrock e hardcore em Curitiba.

Diferente de shows de cantores e bandas famosas onde os fãs vão para ver a banda e cantar as músicas, num show punk o objetivo principal é dançar. Uma dança bem peculiar, que até parece uma briga campal com chutes e socos para todos os lados.

Essa é a "Roda de Pogo" (pronuncia-se pôgo), aquele aparente tumulto em frente ao palco, que na verdade é a dança amigável de várias pessoas que estão felizes, chutando o estresse e curtindo um som. Esse documento vai tentar descrever essa dança e as suas características.

O Ambiente, Vazio

Vamos começar com o lugar onde acontecem os shows. Nada de grandes galpões, palcos espaçosos de 2 metros de altura, camarotes, seguranças, jogos de luzes, gelo seco, inspeções sanitárias e dos bombeiros. Esqueça tudo isso. Os shows acontecem em bares, porões, garagens e similares. São lugares comuns e apertados, que às vezes têm um palco.

Então imagine um bar comum, um boteco com balcão e mesas. No fundo, uma porta que está sempre fechada e leva a uma sala pequena, escura e vazia, sem móveis, sem decoração. Essa é a sala onde acontecem os shows. Suas características:

  • As paredes são escuras (pintadas de preto ou simplesmente sujas).
  • Não há janelas, pois o som não pode escapar para a vizinhança.
  • Ventiladores são um extra e ar condicionado não existe.
  • A iluminação é mínima, com luzes amareladas e cansadas.
  • O cheiro é uma mistura de mofo com fumaça de cigarro, cerveja e suor dos shows anteriores, porém é suportável.
  • O chão é grudento.

 

No canto da sala tem um "palco", um tablado preto de 20cm de altura onde cabe uma banda de três integrantes. O palco é vazio também, pois os amplificadores, instrumentos e toda a aparelhagem são trazidas pelas bandas.

Extintores? Saída de incêndio? Luzes de emergência? Esqueça.

O Ambiente, Cheio

O público chega e o lugar fica cheio. Mas cheio no sentido "lotado" da palavra. Não há espaço para se movimentar livremente, é preciso que outras pessoas saiam do caminho para que você possa andar. Tem de tudo: punks de moicano colorido, metaleiros cabeludos de preto, carecas de suspensório, gurizada de 14 anos, bêbados do boteco, surfistas de bermuda e até gurias bem arrumadas.

Os caras (e gurias) das bandas são pessoas não identificáveis no meio do público, que na sua vez vão ao palco para tocar. Nas outras bandas eles são como todos os outros, assistem e participam do pogo.

A porta fica sempre fechada para o som não escapar para a vizinhança e lembre-se que não há janelas. O resultado é que o ar não circula, não se renova. Verão ou inverno, tanto faz. Dentro da salinha é sempre um forno e todos suam. "Calor humano" ganha um novo sentido nesse ambiente.

O cheiro que antes era suportável agora fica realmente forte. São adicionados mais ingredientes à mistura: respiração, flatulência e suor dos presentes, cerveja derramada no chão (Ah, por isso que é grudento!) e fumaça de cigarro (nicotina e maconha). Depois de um tempo você aprende a ignorar o seu nariz.

Devido ao calor do ambiente, a maioria dos caras está sem camisa e pingando de suor, e como todos estão espremidos, o contato de sua pele com o suor de vários indivíduos é inevitável. O tato é outro sentido que você aprende a ignorar.

O lugar é fechado, então as paredes começam a suar. O teto também fica molhado e gotas de sei-lá-o-quê caem na sua cabeça. O chão fica igualmente molhado de suor e de cerveja, passando de grudento a escorregadio. Este é um elemento dificultador do pogo.

Não há seguranças. Não há policiamento. Não há qualquer tipo de controle. O dono do bar raramente se incomoda com o show. As bandas e o público tomam conta de tudo. O bom senso funciona, mesmo tendo vários bêbados e drogados no recinto.

A primeira banda vai ao palco e o show vai começar. São cinco integrantes que se espremem para caber no mini-palco. É comum eles se trombarem durante o show. A primeira fileira da platéia consegue ver a banda toda, o resto do público só vê cabeças. Mas como o objetivo é dançar, ou melhor, pogar, isso não importa.

O Pogo

Ah, o pogo. A razão da existência de um show punk. O momento de alegria e energia quando o punk e o surfista se abraçam, depois se chutam, depois se abraçam de novo e por aí vai. Tudo numa boa.

Pogar é simplesmente "dançar" num contexto punk. O termo "poguear" também pode ser usado, porém é menos comum. O som punkrock/hardcore é forte, rápido e cheio de energia, e a dança reflete essas características. Ao ouvir a música, seu corpo inteiro vibra e a vontade que dá é a de extravasar essa energia: pular, correr, sair chutando o mundo. E assim é a dança, consiste em pulos, correrias e movimentos cadenciados de braços e pernas.

O movimento é o seguinte: você anda, dando os passos no ritmo da música. A cada passo, a perna é levantada e esticada, dando-se um chute no ar, como se estivesse chutando uma bola de futebol. Um chute médio, nem fraco nem forte.

Nota: O detalhe é que ao invés de chutar o ar, você chuta outras pessoas, pois estão todos espremidos, lembra? Mas preste atenção, você não está chutando outra pessoa porque você quer. A música faz você chutar o ar e por acaso há outra pessoa no lugar do ar. Tanto o chutante quanto o chutado estão cientes disso, então todos se chutam o tempo todo e isso é normal.

 

O tronco e a cabeça são movimentados para um lado e para o outro, acompanhando o ritmo e os chutes. É a ginga.

Os braços ficam dobrados em 90 graus e os punhos fechados, fazendo um movimento alternado, para frente e para trás, no ritmo da música. É como um boxeador em posição de defesa do rosto, só que com a guarda mais aberta (os punhos não se tocam) e os cotovelos bem afastados. A cabeça fica levemente abaixada. Esta é uma posição de defesa da cabeça, para evitar colisões. Assim, nos choques o que se bate são os cotovelos e antebraços.

Algumas variações incluem uma posição diferente dos braços, dobrados na vertical e fazendo movimentos para cima e para baixo. Ou ainda dar joelhadas no ar ao invés de chutar.

Então se você nunca viu, imagine a dança. Um boxeador defendendo a cabeça, gingando e dando chutes no ar. Isso é pogar. Agora imagine vários boxeadores suados e fedidos fazendo isso em um espaço minúsculo, se chocando e se batendo o tempo todo. Isso é um pogo.

Se passa a semana inteira, o que fazer para melhorar?
As contas estão esperando e o salário não vai dar.
Chega o fim de semana e eu sei que algo vai mudar,
Quando esqueço os meus problemas e começo a POGAR.
-- banda Sociedade Armada

 

A Roda de Pogo

A roda de pogo é uma evolução natural do pogo. Com cada um andando em uma direção diferente, os choques frontais são muito freqüentes e a dança fica prejudicada. Apesar de se trombar fazer parte do jogo, se trombar demais impede que se faça a ginga no ritmo da música.

Nada é combinado, mas intuitivamente todos começam a andar para uma mesma direção, diminuindo o caos de colisões frontais. Como o espaço é reduzido, só é possível andar em círculos, ao redor do centro do pogo. Esta é a roda de pogo.

O sentido não importa, mas parece ser mais "natural" andar no sentido anti-horário. Não sei porque, experiência própria.

A roda geralmente se forma na frente do palco, logo atrás do pessoal do gargarejo na primeira fileira. Ela pode ser pequena ou imensa, dependendo do número de integrantes. Geralmente há apenas uma. O resto do público que não quer pogar se acomoda ao redor da roda, levando uns chutes, cotoveladas e encontrões de vez em quando.

No intervalo das músicas a roda pára e todos descansam. É comum ver abraços entre amigos, sorrisos e gritos, típicos de quem está se divertindo bastante. Os sorrisos também são comuns de ver no meio da roda. Chutar e ser chutado faz parte do jogo e todos fazem isso com alegria. É a libertação. É uma grande festa punk.

Quero uma festa com os Kennedys
Eles é que sabem o que é hardcore
Depois pra resfriar e afastar os junkies
POGUEAR um monte ouvindo Circle Jerks
Quero uma festa punk!
-- banda Replicantes

 

As Variações da Dança

Quando a banda é realmente boa e todos estão muito empolgados, é comum ver variações do pogo clássico, que podem incluir:

  • Rodar a camiseta acima da cabeça e gritar.

     

  • Jogar cerveja para o alto e gritar.

     

  • Subir no ombro de outro cara e rodar a camiseta e/ou jogar cerveja.

     

  • Pular no ar num momento de ápice da música.

     

  • Dar vários pulos consecutivos no ápice do momento de ápice da música.

     

  • Levantar um braço com o punho fechado e cantar frases da letra.

     

  • Levantar os dois braços e com os punhos e olhos fechados cantar a frase da letra que realmente é especial para você.

     

  • Abraçar o primeiro cara que ver na frente e pogarem juntos por alguns segundos. Não ficar muito tempo abraçado que senão é viadagem.

     

  • Fechar os olhos e simplesmente deixar o corpo solto, sendo jogado para todos os lados junto com o pogo.

     

  • Fazer um mosh.

     

 

Como se a vida fosse um punkrock em show
Temos 15 minutos para mostrar o que queremos
E você segue em frente contente com o show
CHUTANDO as coisas ruins, deixe tudo de lado
-- banda Tequila Baby

 

O Mosh

O mosh (pronuncia-se móchi) não é uma exclusividade de shows punk, mas por ser bem freqüente a sua execução, merece ser comentado também. "Dar um mosh" é subir no palco e se jogar de lá, caindo em cima da platéia. O nome gringo é "stage dive", mas eu aprendi como mosh.

Funciona assim: você se joga. As pessoas te seguram não porque querem, mas porque é a única maneira de não se machucarem com o choque do seu corpo, já que o lugar está lotado e não é possível sair debaixo. Por isso é mais sábio pular em cima das pessoas que estão assistindo o show, e não no pogo.

O pulo é uma questão de estilo. Pode ser frontal (tipo mergulho), de costas, com giro, com mortal, braços abertos, qualquer coisa menos pular "em pé". Isso é coisa de frutinha que está com medinho de se machucar. E ainda pode machucar os outros com a pisada.

Aconteça o que acontecer, saia logo do palco. Se você subiu para dar um mosh, corra e pule. Não fique saracoteando ou querendo tomar o lugar do vocalista da banda. Se você quer mesmo cantar monte sua própria banda.

Também não fique feito um trouxa pedindo para que o pessoal se junte para te segurar, ou fazer "cadeirinha". Se não há onde pular, simplesmente desça do palco na boa e volte para o pogo.

LEMBRE-SE: Qualquer permanência não solicitada de mais de 5 segundos em cima do palco é considerada manézisse extrema.

 

As Regras

Punks e regras não combinam. Mas o pogo é como um mundinho à parte, com as suas regras de conduta e de boa convivência que devem ser respeitadas.

É muito comum para um iniciante ver a roda de pogo e logo concluir: "Ah, saquei, basta socar e chutar todo mundo e estarei dançando". E lá vai o pequeno gafanhoto fazer isso no pogo. Ele com certeza sairá machucado.

Todos no pogo sabem quem são os que estão dançando na boa e os que estão abusando. Qualquer pancada diferente do normal é facilmente reconhecida e a repreensão pode vir verbalmente ou com outra pancada mais forte. "Sem querer", é claro. Brigas no pogo são raríssimas.

ETIQUETA DO POGO

  • Cada um pode dançar como quiser, batendo nos outros de maneira amigável e não intencional, sem abusos.

     

  • Se alguém cair no chão (escorregadio, lembra?) os que estão ao redor fazem uma "cabaninha" para protegê-lo e o ajudam a levantar.

     

  • Se precisar amarrar o tênis/bota/coturno, faça isso fora do pogo.

     

  • Se você achar alguma coisa no chão, entregue para o cara da banda anunciar no microfone no intervalo das músicas.

     

  • Uma guria pogando ou dando mosh deve ser encarada como um punk suado fedido. Nada de aproveitar para tirar uma lasquinha. Isso é coisa de mané.

     

  • Se você quer que sua namorada pogue, deixe-a. Ficar protegendo a mulher no meio do pogo é ineficiente e atrapalha os demais. Ou deixe-a livre ou saiam da roda.

     

  • Pogo e cigarro não combinam, pois brasa quente e caras sem camisa se atraem. Se quiser fumar, saia do pogo.

     

  • Cansou? Saia do pogo, não fique parado no meio atrapalhando o fluxo.

     

  • Tomou uma pancada forte? Tente identificar se foi intencional ou sem querer. Geralmente é sem querer. Saia da roda para se recuperar. Se foi intencional, marque o cara e depois bata nele "sem querer" também em outra música, para que ele saia do pogo. Se quiser ser mais construtivo tente conversar e explicar o que ele fez de errado.

     

  • Bateu forte em alguém sem querer? Peça desculpas na hora para não ser confundido como intencional. Mesmo se desculpando, sair do pogo por alguns minutos pode ser uma boa idéia. Avalie a situação.

     

  • Não brigue. Você notou que não há brigas no pogo? Faça a sua parte para que isso continue assim.

 

O Fim

Terminados os shows, você está exausto, sem ar, com sede, com fome, fervendo, suando e com dores por todo o corpo. As roupas estão encharcadas numa mistura de suor, cerveja e as gotas de não-sei-o-quê que caem do teto. Perder a camiseta é comum, não se preocupe. Seu cheiro é insuportável. Suas roupas devem ir direto para o tanque ou para o lixo. A nuca dói. Há arranhões e hematomas no seu corpo, principalmente no antebraço e nos cotovelos. Seu tênis/bota/coturno está irreconhecível, todo pisoteado e sujo.

E o principal: há um BAITA sorrisão em seu rosto e você se sente renovado, vivo, feliz.

 

Sobre o autor: Aurélio, 27 anos, programador, baterista da banda de hardcore CORRERIA. Já tocou nas bandas DUMBS, SCARECROW, VALETA e NO SNACKS. Praticante da pogoterapia.

Sobre o artigo: Nenhuma pesquisa ou invenção foram feitas. Todo o conteúdo reflete a vivência do autor. Não há nenhuma pretensão a não ser o registro escrito da experiência.

Eu sou o Ctrl-c Ctrl-v de Jack...

 


:: Por Caco, o Sapo às 05:08 PM :: Add a Comment


April 13, 2006
Feliz paz, Koala!

Eu pretendia desejar uma feliz Páscoa, mas não achei nenhum patrocinador a tempo.

Merda!

Aliás, não vamos esquecer o que a PásCUa significa, hein?

É a festa de aniversário daquele cara... qual é o nome dele mesmo? Que gostava de

imitar o Tiradentes... Ah, peralá, não é isso mesmo? É pra comemorar o nascimento

do Tiradentes que... Hum, não é bem isso... Bom, o fato é que cada um dos sete reis

magos trouxe um presente: um ovo da Garoto, um da Nestle, um... Pô, mas magos?

isso não é bruxaria, caralho??? Então é isso: é pra comemorar que pregaram na cruz

os sete reis magos e aquele pilantra do Tiradentes...


Porra, por que mesmo que enforcaram Jesus na Revolução Francesa? Ele era contra

ou apoiava aquela revolta armada entre os EUA e a URSS, a tal da Revolução Industrial?

 

 


Ah, foda-se, me dá mais um pedaço desse chocolate aí!

 

 


:: Por Caco, o Sapo às 05:48 PM :: Add a Comment


April 20, 2006
Impera a dor (de barrida, de rir ou desgosto, pode optar)

Quem aí lembra do "saudoso" teste de fidelidade? (pára, pára, pára, pára...). Quem aí se lembra da moça que "trabalhava" nesse quadro?

Quantas vezes você pensou "putz, essa mulher é uma puta..."?

Acertou!

Ria (ou chore) comigo da MAIS NOVA "ATRIZ" PORNÔ:

Em sua curta carreira como atriz pornô, Márcia Imperator já gravou dois filmes: Fidelidade à prova e Brasileirinhas Carnaval 2006 "O terceiro sairá em maio", conta, empolgada, sobre o filme Noiva Infiel.

Sensação do extinto programa Teste de Fidelidade, da RedeTV!,em que era a "isca" para flagrar homens infiéis, Márcia esteve no chat do Terra,onde conversou com os internautas e, é claro, com a reportagem, onde contou toda a sua intimidade.

2. Você usou camisinha nos filmes? Correu tudo bem durante as gravações?
Todos os filmes que gravei foram sem camisinha. Os atores são obrigados a mostrar um teste atualizado de HIV. Não tenho medo de pegar aids, pois para mim é mais fácil pegar doença com namorado do que com ator pornô.

3. Agora vamos falar de tabus. Cena com mulher, você fez numa boa?
Bom, no caso do filme eu penei para fazer a cena com ela, não pelo fato dela ser mulher. No filme, tive que fumar (algo que não faço) o que, somado ao cheiro vaginal, me deixou enjoada, com o estômago embrulhado.

4. E anal, pretende fazer, ou ainda é um tabu a ser quebrado?
Anal por enquanto não. Mas a gente não pode dizer que nunca faria né? (risos)

5. Com que artista famoso você gostaria de gravar uma cena pornô? E com quem você nunca gravaria? Por que?
(Depois de muito pensar) Gostaria de gravar com o Oliver (ator do Teste de Fidelidade), pois acho que teria tudo para ser um estouro de vendas.

6. Você disse que escolhe seus parceiros de cama no filme. O que você leva em consideração para escolher?
Levo em consideração a beleza (não vou escolher cara nojento para contracenar comigo né?). Escolho também os normais, que têm o pinto no tamanho médio. Homem que tem o pinto gigante pode me machucar, não gosto. Pinto tem que ser de tamanho razoável e duro.

7. Você finge orgasmo nas cenas?
Nunca fingi orgasmo, gozei em todas as cenas. Se eu ganho bem, porque não gozaria? A maioria das atrizes faz isso, o que, para mim, é chamar o telespectador de burro.

17. Você já fez algo escatológico na cama, do tipo xixi no parceiro? Não fiz e não tenho nenhuma vontade de fazer. Sou muito romântica.

18. E sobre o Teste de Fidelidade, qual foi a maior confusão que você (direta ou indiretamente) arranjou?
Uma menina do Rio de Janeiro que eu não lembro o nome agora disse para mim, na lata "você é atriz de filme pornô". Na hora, eu quis avançar no pescoço dela. E hoje, eu sou atriz pornô mesmo. Como a vida é engraçada né? Acho que ela me abriu os olhos (risos)...hoje, se tivesse a oportunidade, pediria desculpas para ela.

19. O teste era verdadeiro? Os "artistas" eram treinados?
O teste não era verdadeiro, tudo era combinado previamente. No palco, os "artistas" tinham até uma dália que os orientava na hora de "fazer barraco". Mas para as cenas externas eles não eram treinados, o que não tinha problema, pois era eu quem comandava a cena. Eles só deixavam rolar...

Tenho a certeza de que, mesmo se não fosse combinado, eles cairiam, pois ficavam muito excitados.

Como disse um filósofo ao comentar a entrevista: Resumindo, é uma puta.

Eu sou a dor de estômago de jack


:: Por Caco, o Sapo às 09:21 AM :: 4 comments


April 25, 2006
Iniciação Científica em Primatologia

São Paulo, cidade de múltiplas religiosidades, origens e o caralho a quatro. Essa diversidade cultural tão apregoada mundo afora apresenta, a despeito de tudo, uma série incontestável de pontos focais com similaridades gritantes. Parece que, ao pisar em solo paulista, o indivíduo passa a agir de acordo com uma cartilha especial (algo como “Faça cagadas, mas do nosso jeito”). Em Roma, arrote como os romanos, não é isso mesmo?

Com o tempo e a falta de cidadania certa, você acaba se acostumando com vários desses comportamentos discutíveis. É inacreditável o quanto a coisa vai se tornando comum, aceitável, corriqueira.

Parte do “ser um antropólogo” está exatamente em observar esse tipo de ritual.

Bom, assim não me canso do mundo. Ponho ali um “verniz” de estudo social nas minhas observações e passo da completa ojeriza para a curiosidade científica.

Tá, me engana que eu gosto...

Nessa “deliciosa empreitada”, já pude somar um grupo expressivo de comportamentos:

Escarrar no chão deve, de alguma forma, representar o status social. Minha inclinação inicial era supor que o gesto representava algo como “sou um porco dos infernos” ou “Desconheço o significado da palavra Higiene”. Posteriormente acreditei que se tratava de mais um gesto do tipo “Eu sou homem, PORRA!!!”, do mesmo grupo que a coçada no saco e o peculiar olho de tarado toda vez que se observa a bunda alheia. Mas, ao flagrar mulheres escarrando obstinadamente nas calçadas da cidade, sem qualquer cerimônia, fui obrigado a abandonar a tese.

A conclusão a que chego é mesmo a de status social: o gesto simboliza de maneira clara e objetiva a afirmativa “sou um pobre... de espírito.”

Maior atenção deve ser dada a variante em que o indivíduo assoa o nariz entre os dedos, balança a mão (o mais correto seria dizer “chicoteia o ar com a mão”) para que a coriza despenque a toda velocidade e se espalhe na calçada, sapatos circundantes e testa do desavisado que vinha atrás.

O cordial esbarrão de ombros é outro modo familiar de comunicação e sociabilidade entre os paulistas. Consiste, basicamente, em sair dando ombradas nas pessoas que vêm no sentido contrário ao seu, sem nunca pedir desculpas (no máximo, virar-se para mencionar elogios agradáveis sobre o genitor feminino do passante).

O mais interessante é observar as regras deste comportamento em especial.

Pode parecer que não, mas há uma intrincada rede simbólica por trás deste simples gesto. Observe: o sujeito que esbarra, o faz  deliberadamente. Ele almeja atingir o maior número de indivíduos, como se isso valesse algum ponto em um jogo maluco. Por esse mesmo motivo, estampa essa gana psicótica na cara. E, em vista disso, todos ao redor tentam sair de sua mira. Resultado: o esbarrador profissional só pega alguns desavisados. No mais, é caminho livre entre as multidões.

Já o indivíduo educado sofre um problema potencialmente perigoso nessa modalidade de “cumprimento informal”. Por tentar não esbarrar em ninguém (lembre-se que há muitas pessoas e por todos os lados), ele fatalmente esbarrará. Ao parar para desculpar-se, dois fatos ocorrerão, inevitavelmente:

a)      ele vai falar com o vento. O indivíduo esbarrado já terá partido, deixando, no máximo, um “filho da puta!” como mensagem de adeus.

b)      Outros indivíduos vão esbarrar nele e prosseguirão seu caminho, triunfantes.

Desconcertado, o indivíduo educado tentará prosseguir sem novos incidentes, mas é algo que lhe escapa ao controle. Tendo visto sua fragilidade (de longe, aliás, com seus olhos de águia), os esbarradores profissionais, bem como os que querem alcançar esse status, irão mirá-lo como alvo preferencial. Para os primeiros, apenas mais uma vítima; para os segundos, uma chance real e fácil de alimentar sua fama.

No começo, concluí que a comunicação não se dá diretamente, mas sim pelo inverso de seu significado. Parece complicado, mas é tremendamente simples: se você deseja que algo seja feito, peça exatamente o contrário! Note como o aviso “só ultrapasse a linha amarela quando o trem abrir suas portas” é eficiente, ainda que ao contrário! Todo mundo se aglomera ALÉM da linha amarela, esperando o trem chegar. Na composição, o aviso pedindo para se respeitar os bancos de uso preferencial alcança total sucesso, com jovens se apinhando nos bancos de cor especial, mesmo quando há vagas nos bancos normais (ou senhoras idosas, grávidas e com artrite gemendo baixinho do lado).

A tese caiu por terra quando pude observar um coitado com aquele papel colado em suas costas, o famigerado “me chute”. A informação foi absorvida corretamente e muitos pés tiveram um encontro marcante com as nádegas do sujeito.

O resultado final aponta para uma regra mais elaborada: toda informação é absorvida ao contrário se for uma ordem direta em que a palavra “não” for empregada, com objetivo de proibição. Assim, “não pise na grama” será recebido como “dance frevo no gramado”. Ordens diretas sem o proibitivo “não” serão compreendidas literalmente apenas e tão somente se houver algo divertido, que traga algum benefício ao indivíduo ou prejudique os demais. Fora disso, também serão entendidas de maneira inversa. Em especial aquelas frases em que o “não” não existe, mas está subentendido.

Assim, “espere o verde para atravessar” será recebido como “atravesse quando quiser, mano!”, porque:

a)      é divertido parecer machão

b)      Beneficia-me chegar antes na fila do banco

c)      prejudica os demais na fila, além dos motoristas que vão ter que frear com tudo

d)      é a porra de um “não atravesse no vermelho” disfarçado!

Por outro lado, “pegue aqui o seu sorvete grátis” sempre será recebido como “de graça, até camisa do Palmeiras”.

Tendo tudo isso em vista, pensando no caso da grama, será mais eficiente uma placa de “não pise no caminho de cimento” do que uma com “PISE na grama” escrito.

O interessante é notar que esses comportamentos são absolutamente perdoáveis, mas gestos mais simpáticos não. Semana retrasada, na porta do metrô, fui repreendido por um beijo mais caloroso. Note-se que, por se tratar de um beijo de despedida do tipo “primeiro encontro”, não se pode imaginar nada muito estimulante ou erótico. Mas uma senhora deu para nos censurar entusiasticamente, com pigarros, olhares feios e viradinha para trás, com os dizeres “esse mundo está perdido” na ponta da língua (de cobra?).

Erro meu.

Eu deveria ter escarrado no chão.

E a cada dia eu penso mais em estudar macacos. Ao menos, os rituais de acasalamento deles são mais elaborados...

Eu não sou jack

 


:: Por Caco, o Sapo às 11:19 AM :: 1 comments


April 27, 2006
E que tudo mais vá para o Hades!

Não se pode negar que houve muito humor (ainda que peculiar) na hora de dar nomes aos sistemas da USP. É uma verdadeira avalanche de referências à própria burocracia idiotizante do sistema como um todo, tão perfeitamente bem ilustradas em suas linhas quase explícitas. Fica impossível não imaginar que os responsáveis sabiam como a coisa funcionaria, conheciam muito bem as falhas e cretinices que permeiam todo o processo.

Você duvida? Então vejamos:

De princípio, chama muito a atenção o fato de que quase todos os nomes são de deuses greco-romanos (ou a eles estão relacionados). Perfeita metáfora. Veja, os deuses parecem fantásticos de longe, capazes de fazer qualquer coisa. Mas, de perto, são absurdamente cheios de falhas, erros estúpidos, infantilidades e comportamentos bizarros. Assim também o são os sistemas de informação na USP...

A graduação é “servida” pelo sistema Júpiter. Para quem não sabe, Júpiter é mais que um planetinha errante no sistema solar. É óbvio que só a idéia do planeta já é divertida. Afinal, como qualquer uspiano sabe e diz (em especial após usar o sistema Júpiter), “não há nem haverá vida inteligente em Júpiter”. Mas os criadores sabiam ser ainda mais sutis e criativos. Júpiter também é o maior dos deuses do panteão romano (ele é a versão romana do Zeus grego). Oras, qualquer um que se interesse minimamente por mitologia greco-romana deve lembrar qual era a maior característica do deus dos deuses! Nada de raios, superpoderes ou a barba longa: ele gostava era de vir pra terra foder as pessoas. Literalmente.

A esposa dele ficava puta com esse comportamento de risco do deus temperamental, mas ele era assim mesmo. Descia, escolhia e fodia.

Fodia com gosto, fodia sem dó.

As mocinhas morriam de medo do barbudão, apelavam para outros deuses, mas Júpiter não queria nem saber. Quando ele apontava pra alguém, aleatoriamente, a figura estava fodida. Pois Júpiter usava qualquer artifício pra conseguir foder quem ele queria.

E é assim com o Júpiter Web. Ele fode sem dó, sem motivo aparente. Se ele escolher você, fodeu. Literalmente.

A Pós-graduação “pode contar” com o sistema Fênix. Olha que metáfora mais bem elaborada! Pra terminar a desgraça, você vai ter que morrer e nascer outra vez (ou vezes, dependendo da pós que você inocentemente escolheu). E, se parar no meio, pode ter certeza: você vai ficar queimado no circuito acadêmico...

Diplomas, meu caro, é com o sistema Netuno. Note-se que o sujeito já tem certa má fama: é irmão do Júpiter. Farinha do mesmo saco olímpico e divinal.

Mas Netuno é o rei dos mares, manjou qual é o lance mitológico? Pois bem. Netuno é conhecido por seu temperamento arisco e voluntarioso. Qualquer coisinha que o pobre marinheiro faça e ele já acha que é um desrespeito, uma ofensa. Ganhar a alcunha de seu desafeto é coisa fácil e as conseqüências são sempre trágicas e definitivas. Sim, meu caro, por qualquer coisa o seu diplominha vai afundar num oceano burocrático intransponível, a menos que você pague, muito bem, as oferendas que o instável deus pedir. Mexer com Netuno é pedir pra sumir no meio do nada, tragado por ondas gigantescas. Poucos conseguem voltar dos seus domínios. É tarefa para bravos, heróicos e sortudos.

Antes de aventurar-se, pare e pense: não foi de graça que o Tridente tornou-se um dos símbolos mais famosos de Netuno.

A parte de pesquisas ficou com o sistema Atena.

De fato, Atena é a deusa grega da sabedoria, o que casa muito bem com pesquisa, certo? Ela também é deusa da destreza, das artes... O que complica um pouco a história é ela ser a filha predileta de, ninguém mais, ninguém menos... Zeus. Sim, Júpiter. Pior: Ela NASCEU DA CABEÇA DELE. E se não há vida inteligente em Júpiter, se ele só pensa em te foder, como é que você vai confiar no sistema predileto dele?!? Foi o que eu pensei...

Cultura e Extensão estão ligadas ao famoso Apolo.

Apolo, o irmão gêmeo de Ártemis, é deus da profecia, da medicina, da luz, e de mais umas quinhentas coisas. É, com efeito, um aparecido, um metido a besta que quer ser deus do que estiver na moda. Fora o fato de ter um comportamento meio suspeito: é deus da música, mas mais especificamente da lira, aquele instrumento meio afrescalhado; pra piorar, é um deus arqueiro, mas jamais pra caça (comportamento bem frutinha).

Na verdade, Apolo é aquele típico deus que gosta de aparecer muito mais do que de fazer. Esses caras sabiam mesmo o que estavam fazendo na hora de dar nome pros sistemas...

Finanças são coisas do sistema Mercúrio. Além de deus mensageiro (alcoviteiro causador de intrigas), o safardana é deus dos ladrões (!?!). Fofocas e contas suspeitas com fins misteriosos não são, por tanto, mera coincidência.

Protocolo, Essa coisa tão divertida, é com o sistema Proteos. Bem, o “Velho Homem do Mar” tem ligações suspeitas com Netuno. É um velho homem que pode te dizer o futuro. Legal, hein? Ah, mas tem uma coisa: o danado pode se transformar em qualquer coisa só pra escapar de você. Sério, você tem que agarrá-lo rapidamente, à surdina, no melhor estilo ninja, ou ele some e você nunca mais vai ter notícias. Não é comovente a forma elaborada com que escolheram o nome desse sistema? Fui às lágrimas enquanto digitava esta parte do texto...

O melhor, sem dúvida alguma, é o sistema de Recursos Humanos. Se não o convenci até agora de que todos os nomes foram premeditadamente selecionados com vistas nos terríveis problemas que a estrutura causaria aos seus dependentes, agora você irá dar a mão à palmatória.

Recursos Humanos.

Sistema Marte.

Não o planetinha quente e desconfortável (embora a analogia seja boa).

Não, a metáfora é óbvia e muito mais rica.

Marte é o deus romano que representa o grego Ares.

Deus da GUERRA. Instigador de toda a VIOLÊNCIA HUMANA.

Cabra ruim mesmo, de fazer medo nos demais deuses. Tem uma natureza tão cruel que nem o pai quer saber dele. Subjugou a beleza (Aphrodite), casando-se com ela.

Costuma ser visto saindo pra beber umas garrafas de vinho com gente mal encarada como Phobos e Deimos (respectivamente,  Medo e Terror). E costumam exagerar na dose, todos eles (eu não vi, mas tenho uma tia que disse que a amiga dela  contou ter visto a  Aphrodite arrastando o bêbado do marido pra dentro de casa, após uma noite passada toda na sarjeta, do lado do Bar do Juca...).

É unha e carne com Éris (Discórdia) e Enyo (que mané  Vila Césamo, rapaz! Enyo é o representante grego do Horror).

Amigavelmente chamado de “O Destruidor”.

Satisfeito?

Pois eu encerro a minha defesa!

Eu sou a senha incorreta do sistema Júpiter de Jack.

Fodeu...


:: Por Caco, o Sapo às 07:52 PM :: 11 comments


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