| March 12, 2007 |
| Endométrio Diz a Teoria do Caos que uma borboleta batendo as asas influencia um tufão do outro lado do mundo. É um modo impressionante (com um leve toque de romantismo) de relembrar algo que nos escapa: estamos todos ligados, de alguma forma, em algum momento. Uma visão científica do mundo é mais do que uma inclinação particular: é minha ferramenta de trabalho, sem a qual fico cego perante o que não me é familiar. Corro um risco muito maior de ser etnocêntrico, inconveniente e míope quando diante da diversidade; de tratar uma nuance cultural delicada com preconceito e estupidez. Possuir um ceticismo científico é o que me permite dizer com alguma propriedade que sou um antropólogo em formação (constante). Tem sido uma lupa maravilhosa para observar (e absorver) o que acontece à minha volta, em minha vida, no mundo, dentro de mim. Faz parte do que chamo de “verdadeiro eu”, ajuda a definir a minha identidade, os meus limites (e quão ilusórios são os limites de qualquer ser pensante). O grande problema com os métodos científicos é a tendência natural que temos em torná-los absolutos (nós fazemos isso com tudo: crenças pessoais, valores, ideais... os métodos científicos são apenas mais uma vítima inesperada, numa longa lista). Quase princípios inquestionáveis, verdades determinantes. Dá-se adeus à maleabilidade muito cedo. O que começa como uma possível solução torna-se um obstáculo a mais. É muito engraçada (ou deprimente, depende de com que pé você levantou hoje) essa necessidade humana de padronizar, rotular, “simplificar” o sentido das coisas. Na busca por entender, a gente prefere pasteurizar e “superficializar” qualquer assunto a encarar que não existe “a resposta”. Mesmo que existisse, que diferença faria? Nós estamos muito longe de definir coerentemente quais são as perguntas. Mesmo agora, enquanto escrevo este texto, estou pensando se esqueci ou não a minha escova no Box, se esse calor danado não vai acabar nunca, se minha mãe está aproveitando a viagem, em outras duas formas de escrever este mesmo texto, no cheiro gostoso do delicado pescoço dela quando a gente se abraça, em algumas músicas do Seal, no trabalho atrasado, em sorvete de menta (eu penso em sorvete de menta com uma freqüência absurda, confesso). Nosso cérebro não é linear, não se mantém focado em um exclusivo assunto por muito tempo. Por que insistimos em tentar traduzir o mundo para uma linguagem que sequer é naturalmente nossa? Não que o ceticismo científico seja um problema. Na verdade, por princípio, ele deve escapar dessas armadilhas. Ele busca respostas de um modo muito inteligente (ainda que possa soar paradoxal): sabendo, de antemão, que não há uma conclusão cem por cento confiável. Chega a ser reconfortante reconhecer que está além de nossas capacidades concluir uma análise na certeza irrevogável de sua precisão. Torna-nos mais humanos (falhos), mais iguais, de certo modo. Em última instância, ele não destrói a magia e a graça das coisas em que acreditamos. Ao contrário, ele enriquece nossa experiência, tornando tudo maravilhoso, digno de nota, de observação. Eu não acredito em destino. Destino pressupõe a supressão do livre arbítrio (que tido como um valor absoluto é igualmente uma falácia, não se nega, mas a supressão a que me refiro é completa, uma vez que o destino independeria inteiramente de suas forças, vontades, ações; tudo estaria irrevogavelmente escrito em algum livro de bolso cósmico e sem graça). Dentro de um certo limite, eu tenho alguma “liberdade” de ação. A ausência de liberdade não me parece derivar de um plano oculto, inefável, mas sim de uma série de regras sociais, acontecimentos anteriores, encadeamento de ações e reações (muitas delas tendo começado bem antes de eu nascer, muitas delas terminando quando eu não estiver mais por aqui, pensando em sorvete de menta). O destino é só a previsibilidade das conseqüências do que vivemos, do que fazemos (e, igualmente, do que deixamos de fazer). Mesmo que não vejamos com clareza, de fato, as coisas estão conectadas. Mesmo que demore, tudo tem repercussão. Tudo ecoa. Quem você foi reverbera em quem você é. Ação, reação. Seqüência. Talvez o mais difícil e doloroso seja passar pelo “jugo da visão científica” nossas experiências pessoais. Nós queremos significado, nós ansiamos por milagres, sinais preciosos de que estamos no caminho certo. De que há traçado para nós um caminho com alguns percalços, mas com um final particularmente especial, feliz, glorioso. Reconhecer que não temos absoluta certeza de que tudo está no devido lugar não causa lá muito entusiasmo. Eu não sei. Existem coisas para as quais a ciência não consegue aplicação (bravos cientistas reconheceram que a convivência entre ciência e religião é tão inevitável quanto oportuna). A experiência humana transcende sua capacidade de abstração, de referir signos e significados. Em alguns casos (em algum momento de todos eles, na verdade) o que realmente vale a pena é sentir, saborear, viver com toda a intensidade possível. No meu peito, explodem batidas de asas de borboletas incandescentes. Meu sangue saturado em adrenalina ilumina cada sonho, desejo, esperança. Cada passo meu parece em sintonia com o infindável universo. Talvez eu seja só um animal curioso vivendo seu momento de “ápice biológico”. Talvez eu seja uma alma em êxtase. Talvez eu seja os dois (quem pode afirmar que tais estados são mutuamente excludentes?). Não importa. Abro os braços, sorrio e sinto o delicioso friozinho na barriga. Lá longe, os relâmpagos iluminam um tufão poderoso, imponente, incansável. E todas as explicações possíveis reconhecem-no como uma força magnífica da natureza... |
| :: Por Caco, o Sapo às 09:08 PM :: 3 comments |
| March 22, 2007 |
| I said I wasn't gonna lose my head, but then POP! O que eu aprendi de mais precioso depois de tantos anos de faculdade é: não se leve muito a sério. Isso é uma mão na roda na hora de se perceber o que realmente importa. Hoje, por exemplo, eu não acordei particularmente inspirado pra nada mais do que dar boas risadas. Acho que é um reflexo da felicidade, sabe? Tantas coisas boas estão brotando - e de tudo o que é lado - que simplesmente não vale a pena deixar uma dor de cabeça ou alguns problemas novos no trabalho arranharem o sorriso bobo na cara. Deixa virem, estou aqui! Inaugurando a série “Contexto é tudo”, algumas pérolas que presenciei/participei/mandei: “- Aaah, não... definitivamente, o Antonio é mais gostoso!” (o sapo que vos fala, escolhendo perfumes e enaltecendo as qualidades de um cujo nome é Antonio; nome do perfume, não do vendedor, que fique bem claro) “-Você outra vez? Já dei pra você, preciso dar pra todo mundo antes de você comer novamente!” (partilha de um bolo de aniversário; pena eu não estar com uma filmadora na hora...) “- Não dá pra esperar, vou ter que sair correndo sem as calças mesmo!” (amiga deste que vos fala, atrasada para uma reunião, avisando que não vai esperar a moça da loja trazer uma calça um número menor para ela ver; ambas, vendedora e amiga, estavam adequadamente vestidas... bom, nem tanto, sei lá, quem sou eu pra discutir moda...) “- É feia, grande demais, desajeitada...Dá vergonha de andar por aí com ela. Mas namorada a gente não pode contrariar. Vou usando até poder pagar por uma melhor.” (amigo deste que vos fala, desabafando sobre a horrenda mochila que ganhou da namorada; se fosse sobre a própria namorada, seriam as últimas palavras de um amigo querido, com certeza) “-Ele já está lá no banheiro outra vez, com aquela merda na mão!” (reclamação muito justa de um amigo deste que vos fala, criticando o costume irritante do seu companheiro de apartamento de passar hora ocupando o único banheiro fazendo chapinha; isso mesmo, chapinha; essa, nem contextualizando, né?) E depois de livrarias iguais no mesmo lugar, várias saídas no mesmo shopping, bancos iguais na mesma rua e diversos prédios de faculdade na mesmíssima quadra, nem vou contextualizar essa musiquinha-de-fim-de-post. É só pra lembrar da dancinha e imaginá-la bem no meio do Pacaembu lotado. I never thought that I could be so satisfied,
|
| :: Por Caco, o Sapo às 03:51 PM :: 1 comments |
| March 23, 2007 |
Deu a louca no Tabulas e eu sumi do mapa??? |
| :: Por Caco, o Sapo às 03:54 PM :: 2 comments |
| March 27, 2007 |
| A Síndrome de TocaRaul Você lembra? A primeira vez que foi em um show, aquele momento entre uma música e outra em que os aplausos acabaram e a galera ainda não recuperou o fôlego pra gritar por mais. Aí, alguém lá no fundo berrou a plenos pulmões: “TOCA RAUL!”Lembra disso? Na hora você nem entendeu, “toca o que...?”. Perguntou pra namorada/amigo/desconhecido careca e mal encarado do lado o que foi que o doidinho gritou.Toca Raul. Você riu da piada voltando pra casa, ainda surpreso com a inesperada tirada.“Toca Raul, heh...” Aí, em outro show, lá estava você esperando começarem aquela música quando vem uma voz bem do seu lado gritando; “Toca Raul!”Dessa vez você riu ainda mais. Claro, a piada não era nova, mas continuava surpreendente. De qualquer maneira, agora você já a conhecia, já a entendia. Muito engraçado!Toca Raul!!! Você voltou pra casa prometendo gritar por conta própria o bordão, na próxima oportunidade.Só que no show seguinte, alguém gritou antes de você. E foi acompanhado de uma turminha lá na frente. E de um careca mal encarado do seu lado. Quando você chegou em casa, até seu irmão mais novo gritou “Toca Raul” na frente da tv, por algum motivo qualquer.Tinha sempre alguém gritando. Toca Raul.No show seguinte. No próximo.E no outro. E outra vez.Toca Raul. No bar da esquina.Toca Raul. Na rodinha de violão.Toca Raul. A sua vó cantando no chuveiro.Toca Raul. No discurso de formatura.Toca Raul. Em um momento solene.Toca Raul. Bem na hora em que a banda ia começar aquela música que você tanto gosta!Toca Raul! Toca RAUL!!!Cara, sabe onde você pode enfiar esse seu “toca Raul” desgraçado??? O mundo todo anda muito “Toca Raul”.Zero criatividade. Piadas repetidas.Risadas em replay. Idéias enfadonhas reproduzidas em constante repeat.Toca Raul. Toca Raul. Toca Raul. Quantos papos Toca Raul você tem por dia?Com quantas pessoas Toca Raul? Quantas idéias Toca Raul lhe apresentam por semana?Quantos cds Toca Raul você comprou ultimamente? Aliás, na terceira música você já está mesmo rezando para que role um cover do Raul, tão ruim é o material. Quantos livros Toca Raul você leu esse ano?Você leu esse ano? Imagino a depressão infinita em que Raul cairia se soubesse no que foi transformado.Toca Raul. Lugar comum.Tá frio hoje, né? Será que vai chover?Precisamos tomar aquele café! Toca Raul.Parece que toda a criatividade humana se extinguiu. Você começa vendo um filme, interrompe com uma música, engole o almoço, conversa com alguém e tudo parece a mesmíssima coisa.O mesmo sabor. Sem sabor.Um infinito berro esganiçado de Toca Raul. Hoje, moleques gritam Toca Raul sem sequer saber quem é o danado do Raul!As pessoas balem Toca Raul. A sociedade prega Toca Raul.Só o Raul é que não toca, de fato. Toca Raul!Toca Raul, uma ova! Quão fácil seria terminar este texto perfeitamente Toca Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!”
Ou ainda: “Basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo, vai, tente outra vez.” Mas não.Cada um manda no seu nariz. Eu não sou besta pra tirar onda de herói.O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço. Francamente, entrar pra história é com vocês!
Eu sou a mosca na sopa de Jack
|
| :: Por Caco, o Sapo às 02:23 PM :: 5 comments |
| Requirements |
| .ie 5+ . .respeito .feedbacks |
| Kermit, the Fight Frog |
| .Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra. .Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas). .Rock de quase todos os tipos. .Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana. .Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack... |
| Clube da Luta, por Caco |
| Arquivos Arquivos do CC Net Arquivos do Blig Stop Where is my mind? Way out in the water, see it swimming With your feet on the air and your head on the ground Try this trick and spin it, yeah Your head will collapse if there's nothing in it And you'll ask yourself Where is my mind? But God licks your face - just like your dog Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws, you kill & dine, in cold sublime We don't need who you think you are |
| Warning! |
| If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think everything you are supposed to think? Buy what you're told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you do'nt claim your humanity you will become statistic. You've been warned... Tyler |
| Contact |
| .e.mail slipkamilot@hotmail.com Eu sou a verdade de Jack. |
| Blogs |
|
DEHLIcious blog! Emma Frost Marla Singer Vênus Diabla Tati Bruno Mazzeo Dito Hunny Bunny |
| Sites |
| Lave suas mãos aqui! Encyclopedia Mythica Scripts Universe Series On Line Famous Babes Omelete |
| Exit |
| Os gráficos e a edição em php e css foram feitos inteiramente por Jô
com o auxílio do Adobe Photoshop 7.0 e Dreamweaver 6.0. O gráfico é uma montagem com várias fotos do filme Fight Club. A blogagem é garantida pelo Tabulas. |
| Counting |
|
Muitos seres entraram aqui Estadisticas gratis |