Entries for June, 2007

June 6, 2007
Dolorem ipsum, lorem ipsum

Oh look at my face
My name is might have been
My name is never was
My name's forgotten

Não sei bem o porquê disso, mas angústia é, certamente, o sentimento mais experimentado pela humanidade. Tudo é, em algum momento, angustiante.

Se o que acontecerá será bom, a angústia de sua espera nos faz companhia.

Se o que nos virá é algo cruel em algum nível, é a angústia quem o prenuncia, com uma antecedência colossal.

Se acertar, a angústia de tentar manter.

Se errar, a angústia de tentar consertar.

Se perder, a angústia de tentar achar.

Se achar, a angústia de manter seguro.

A finitude das coisas prevendo (ou exigindo) uma mordaz quantidade de angústia.

Mas nem é só isso: pensar em algo imanente também é profundamente angustiante.

Creio hoje que a angústia está intimamente ligada à existência humana. Em algum momento entre as árvores, as cavernas e as megalópoles, a natureza arriscou-se a criar um ser pensante com capacidades cognitivas tão absurdamente complexas que ela mesma deve ter ficado angustiada.

É o preço a se pagar por essa adaptação/evolução/acaso/ato de deus: angústia.

A inquietação que nasce na boca do estômago, corre para cima e para baixo pela espinha, incomoda a nuca, ferve os miolos.

Precisamos da noção de tempo para estruturar nossas curtas vidas.

O tempo estruturado grita: nossas vidas são curtas.

Nossas vidas curtas imploram: me dê significado!

Buscamos o significado desesperadamente, como se fosse possível bidimensionar/simplificar/superficializar uma vida e determinar: é para isso que eu existo.

Enquanto caçamos/forçamos/inventamos significados, a vida se esvai.

Quando a vida acaba, a angústia da incerteza de uma história repleta de escolhas indecisas.

Quando a vida começa, a angústia da incerteza frente às escolhas que criarão uma história repleta de indecisões.

Pobre bicho homem, trancado na jaula das suas próprias virtudes. Rondando, farejando, espiando a inconsciência (e a inconseqüência) do lado de fora.

Talvez a maior piada seja exatamente a impossibilidade da resignação perante a angústia.

Jamais poderemos aceitá-la por completo.

Jamais poderemos nos livrar dela.

Nem abandonar, nem formalizar a união.

Uma amante instável e problemática.

Mas é a vida, sabe? Não precisa ficar angustiado com isso...

 

Eu sou o suor nas palmas das mãos de Jack

 


:: Por Caco, o Sapo às 04:15 PM :: 1 comments


June 14, 2007
Helianthus

Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar,
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar

Começa em algum lugar incerto.

(Pensando bem, o que é um ventrículo esquerdo, afinal?)

Na verdade, não é um lugar físico no sentido estrito da palavra.

É aquele lugar em que você é mais do que carne, sangue, gente.

Aquele em que nada pode ser traduzido de uma vez só.

O quasar metafísico que consome e produz seu universo particular.

Lá, para além do sentido de tempo, de espaço, de unidade.

É ali que começa.

O fogo espetacular, reconfortante, viçoso.

Quando o sorriso se prenuncia (e é quase mágico como você o vê nascer antes mesmo que qualquer músculo tenha se movido), todas as coisas parecem preenchidas de sentido, significado.

Quando o perfume suave se enrosca em seus pensamentos, nada mais parece casual. Uma orquestra bem regida toca alegre uma sinfonia sem igual.

Quando a pele macia desliza sobre a sua, a finitude inexiste. Tão poucas estrelas para tanta felicidade!

O sabor daqueles lábios reinventando a significado do êxtase.

Viver significando mais do que estar vivo.

Ah, minha Girassol, flor e estrela a um só momento!

Quão restritiva é a gramática quando se ama tanto e tão honestamente!


:: Por Caco, o Sapo às 09:51 PM :: 8 comments


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Kermit, the Fight Frog
.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
.Rock de quase todos os tipos.
.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
.Yeah , eu sou o paliativo dos humores de Jack...


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Stop
Where is my mind?
Way out in the water, see it swimming
With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse if there's nothing in it
And you'll ask yourself Where is my mind?
But God licks your face - just like your dog
Succulent white, secrete revenge, god gives right for you & your laws,
you kill & dine, in cold sublime
We don't need who you think you are


Warning!
If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think everything you are supposed to think? Buy what you're told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you do'nt claim your humanity you will become statistic. You've been warned...
Tyler


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