Entries for October, 2007

October 1, 2007
Biscoito espanhol

- Si alguien llega hasta ti, con un regalo, y tú no lo aceptas, ¿a quén pertence el regalo?

- A quien intentó entregarlo, respondió uno de los discípulos.

- Lo mismo vale para la envidia, la rabia y los insultos. Cuando no se aceptan, continúan pertenciendo a quien los llevaba consigo.

Tu paz interior depende exclusivamente de ti.

Las personas no pueden quitarte la calma. Solo si tú lo permites...


:: Por Caco, o Sapo às 04:18 PM :: 1 comments


October 4, 2007
Orquidário

A vida é sonho?

O real parece tão incerto, a matéria tão vaga...

Já os sonhos, na sua complexa relutância em manter uma forma única, esses sim parecem o útero original de toda a vida.

Todos os sonhos criam seus próprios universos. As centenas de milhões de estrelas pulsando muito depois do sonho em si ter acabado...

É quando fecho meus olhos que sinto o multiverso fluir, através e além de mim.

Mesmo eu, ser orgânico na visão simplista da matéria, muito mais represento através dos meus sonhos (e dos sonhos dos outros, talvez).

Meus olhos registram uma miríade de matizes de cinza. A matéria é cinza. O gosto é cinza.

As cores, todas elas, moram e proliferam nas raízes oníricas da existência.

Não é com os olhos que registro os gostos, as cores, os perfumes. É com a alma (seja lá que tipo de consistência ela tenha; a mesma, suponho, que a dos pensamentos e sentimentos).

Não me defino pelo meu corpo, mas defino-o pelo que sou (por quem sou; e, se não sou matéria, o que sou eu?).

Engraçado.

No final das contas, não será a matéria um eco impreciso dos sonhos que temos?

Fecho os olhos e contemplo uma infinitésima parte de tudo o que há em mim. São tantos lugares, tantas constelações, tantas pessoas, rostos, expressões, sentimentos... Preciso abrir meus olhos, respirar fundo para não me perder. A vertigem castigando meus sentidos logo no começo da exploração.

Então, para manter um mínimo de “sanidade” (e o que é sanidade, afinal? Quem determina a linha que divide o mundo entre sãos e loucos?), volto a fingir que sou apenas mais um ser humano qualquer, limitado pela carne, pelo trabalho, faculdade, dias entediantes e ar condicionado ligado.

Volto a fechar a janela.

Volto a calçar os chinelos.

Volto a tomar café depois do almoço.

Volto a segurar na alça de segurança dentro do ônibus lotado.

Volto a rir das piadas sem graça.

Volto a comentar sobre o tempo.

Volto a fingir que estou prestando atenção no jornal.

Volto a fingir que as notícias não me incomodam.

Saio de casa. E volto.

 

Não importa.

 

Lá dentro, meu fingimento não tem chance.

Posso ignorar o quanto quiser, mentir para mim mesmo.

O turbilhão de existência prossegue, imanente, para além e para dentro do que sou.

Foi assim antes.

Assim é agora.

Será assim sempre, mesmo depois de mim.

 

Talvez, morrer seja isso: viver através dos sonhos.

Mais cedo ou mais tarde, todos nós saberemos.


:: Por Caco, o Sapo às 08:52 PM :: 2 comments


October 8, 2007
Eles, os Bárbaros

É complicado lidar com a revolta. Ela soca a boca do estômago continuadamente, forçando alguma reação, alguma exaltação.

Tomemos o nível de preconceito (e ignorância, o que é muito próximo) em que nosso país está mergulhado (e não só ele, mas é mais prático partir de uma realidade imediata para expandir esta reflexão).

 

A cor da pele é motivo para a suposição (sem qualquer base científica, moral, estatística, etc) de uma superioridade. As pessoas insistem em falar em “raças humanas” quando não há qualquer indício científico que justifique tal afirmação. Como raça, somos todos uma coisa só, brancos, negros e amarelos. O único nível em que tal diferenciação existe é meramente no plano cultural (e já voltaremos a isto).

 

Também o sexo é índice de diferenciação no tratamento e nos direitos. Naturalmente não se podem negar as diferenças evidentes entre um homem e uma mulher. Mas, em certo nível, não se pode negar as diferenças entre um homem e outro homem. O sexo não é suficiente para embasar uma teoria da superioridade. Termos corpos adaptados a diferentes funções não significa que umas sejam mais importantes do que outras e, principalmente, não quer dizer que não haja tarefas e atividades que estejam em um campo comum aos sexos.

 

Só uma mulher pode ter filhos, só um homem pode gerar espermatozóides, mas ambos têm braços, pernas, cérebro e capacidades diversas. É vergonhoso que todos saibam que não há explicação para a diferença de valores pagos para mulheres e homens e, mesmo assim, essa diferença continue existindo.

 

Não somente o sexo, mas com quem se faz sexo tornou-se, indignamente, pauta de debate sobre os “valores” morais ideais, a “perfeição” das relações humanas. Os conservadores não conseguem tratar a homossexualidade de forma educada, encarando, nos melhores casos, o “problema” como doença. O sentimento mais positivo de que são capazes com relação ao tema é dó. Ignoram solenemente que outros animais (e não tenhamos nenhuma ilusão a este respeito: o ser humano é MAIS UM animal terrestre) convivem naturalmente com o homossexualismo, dando credibilidade à suposição de que as relações homossexuais, muito embora não sejam regra, não são naturalmente exceções pervertidas, descabidas e completamente fora de propósito.

 

Naturalmente, a simples verificação de que a homossexualidade não é característica exclusiva da humanidade não lhe confere caráter de “via normal” das relações humanas. Estabelece, isso sim, que a questão é mais abrangente, mesmo no âmbito biológico do debate. Mas o ser humano não responde exclusivamente ao biológico ou as necessidades do ambiente. Ele convive com uma cultura local e esta tem influência definidora em vários fragmentos de sua existência.

 

O ser humano é um bicho cultural. Com isto não nego a existência de cultura enquanto conceito na vida de outros animais (muito menos confirmo tal fato; isso é um debate diferente, igualmente relevante e provavelmente mais extenso). Ratifico, isto sim, a cultura como característica marcante na vida humana. E não ouso, de maneira imbecil e improdutiva, buscar um conceito único de “verdade” e de “cultura”. Ao contrário, de partida reconheço a pluralidade de verdades e culturas que compõem o panorama geral da espécie humana.

 

Se as diferenças morfológicas e genotípicas não constituem base suficiente para separarmos a raça humana em grupos distintos, com certeza a cultura dá cabo do assunto com pompa e circunstância. As diferenças culturais são tantas e de tantos graus que é totalmente improdutivo falar de uma humanidade única nos termos do comportamento humano mais complexo, dentro das diversas camadas de interação social. Por outro lado, alguns aspectos são suficientemente genéricos para que se possa utilizá-los como guias de um comportamento humano mais geral (e, inevitavelmente, superficial).

 

Dentro da linha mais geral, é legítimo afirmar que as relações sexuais humanas extrapolam os limites da reprodutividade. De fato, um pensamento mais esclarecido reconhece que as relações sexuais não possuem como fim último a reprodução em si, mas a manutenção de uma estrutura familiar e social mínima, que permita a viabilidade da propagação da vida em termos mais complexos do que o simples “pôr no mundo” (a preocupação com a manutenção e propagação da “cultura humana” é definidora no objetivo de conservar a espécie, a sociedade). Ainda que mantenha um vínculo inegável com a simples estrutura reprodutiva, as relações sexuais são ferramentas socializadoras, mantenedoras do bom entendimento e da cumplicidade entre seres humanos.

 

Dito isto, numa sociedade em que existem crianças “sobrando” (o índice de natalidade, somado ao índice de produtividade, de destruição dos recursos naturais e as análises de como poderá ser o nosso futuro costumam ser resumidas em uma única palavra: catástrofe), é lógico supor que o papel da sexualidade na sociedade moderna fica, cada dia mais, voltado para a sustentabilidade das relações sociais mais íntimas. É ferramenta, válvula de escape, sistema de gratificação interpessoal e facilitador de comportamentos sociais esperados (tais como fidelidade e permanência em relacionamentos mais longos e produtivos) a um só tempo. Dentro deste panorama, qual é a relevância do tipo de casal que se forma? O resultado final é o mesmo: a manutenção da humanidade enquanto espécie.

 

A homossexualidade pode, então, ser encarada como mais uma peculiaridade cultural na espécie humana? E, nessa perspectiva, uma saída tão inteligente e válida na obtenção de relações humanas prazerosas para seus indivíduos quanto qualquer outra? Fica, notadamente, compreendido que tanto o homossexualismo quanto o heterossexualismo são apenas lascas de um comportamento sexual plurifacetado e complexo, implícito no conceito de cultura humana?

 

A questão, definitivamente, não é essa.

Se fosse, já teríamos resolvido todo e qualquer preconceito.

As pessoas ignoram as explicações lógicas, racionais, simplesmente porque lhes convém.

É mais fácil.

 

O diferente é indigesto, não apenas porque é “diferente”, mas porque torna o “normal”, o convencional, uma regra não tão infalível. O medo da “falta de estabilidade”, de padrão, de “certo” e “errado” (mas, como no filme Instinto, a única coisa que perdemos ao reconhecer que as regras não são absolutas é a nossa ilusão de segurança, de simplicidade; perdemos apenas as lentes inúteis e maniqueístas da formalidade para aprender a observar a pluralidade da vida, em constante movimentação).

 

Não se trata de uma defesa do homossexualismo, em si. Não há o objetivo de santificar nenhum grupo em particular, nem negros, mulheres ou homossexuais. Não pertenço a nenhum desses “grupos humanos” e nem suponho que esteja em posição para bancar o herói.

Eles, a bem da verdade, não precisam. Em bom português, não represento porra nenhuma para estes segmentos.

 

Não precisamos de heróis: apenas de respeito, bom senso e um mínimo de lógica aplicada na vida prática.

 

Trata-se da defesa do direito, inalienável, de exercer a sua já pequena liberdade, represada por tantas regras de conduta. Trata-se de assegurar que os julgamentos de valores, míopes, não estraguem as relações humanas de forma irremediável.

 

O mundo não é feito de (e, definitivamente, não foi feito exclusivamente para) homens brancos heterossexuais cristãos adoradores de futebol.

É, apenas, deles TAMBÉM.


:: Por Caco, o Sapo às 05:00 PM :: 1 comments


October 9, 2007
Sem mistério

Segundo e-mail da Editora Três, ganhei o livro mais sensacional desde o Código Da Vinci, "O Segredo".

Aliás, dizem eles, "O Segredo" é o livro mais famoso do mundo. É, teve banda de rock que já pensou assim também, sobre sua carreira.

Obrigado, mas passo.

Não sou chegado a fofocas.

Não sei bem o motivo, lembrei agora daquele episódio do Chaves, aquele com o jornaleiro. Como era mesmo?

"Extra, extra, cinco pessoas enganadaaaaaaas"

Seriado legal, esse Chaves.


:: Por Caco, o Sapo às 07:01 PM :: 6 comments


October 30, 2007
Copa-na-Cabana

Interessante.

O país do puxadinho, da casa-no-quintal-da-sogra, do quarto-e-cozinha, vai sediar uma Copa.

E o povo vai mantendo a tradição da reunião de “topouér”.

Copa com copos de requeijão, sobre a mesa de plástico encardida que a Tia Mauricleide deu no Natal passado, depois de trocar todos os móveis nas Casas Bahia (em suaves prestações, que você só começa pagar em abril!).

Vamos continuar brincando de casinha até quando?

 

Ô seu juiz, levanta o cartão, porque esse time só opera no vermelho! Vê só quanta coisa falta, tanta gente dando mancada! Não estou com a menor vontade de ver o time indo para Morte Súbita, tás me entendendo, nego?

 

Não importa como vai acabar essa Copa.

O Brasil já perdeu.


:: Por Caco, o Sapo às 07:13 PM :: 3 comments


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.Estudante de Ciências Sociais na USP, doido de pedra.
.Pretende se tornar um antropólogo - arqueólogo (sua carreira estará literalmente em ruínas).
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.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
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