Entries for November, 2007

November 5, 2007
Guarda um Segredo?

Fazendo as contas:

O meu post "sobre" O Segredo gerou 6 comentários. Já o meu post sobre preconceitos diversos, maior e melhor embasado, gerou magníficos 0 (zero, também conhecido como "nehum, porra!!!") comentários.

Quem está mandando indireta pra quem, agora???

 


:: Por Caco, o Sapo às 04:46 PM :: 3 comments


November 13, 2007
Cabeção

Cada minúscula célula do corpo humano é substituida de sete em sete anos. Isso significa que não há sequer uma pequena parte de você hoje que foi parte de você sete anos atrás.

Tudo está mudando.

(...)Não há imobilidade, apenas mudança. O aqui de ontem não é o aqui de hoje. O aqui de ontem está em algum lugar na Rússia, em uma área deserta do Canadá, em um nada muito azul nofundo do oceano Atlântico. Está escondido sob o Sol, no espaço sideral, abandonado centenas de milhares, milhões de quilômetros atrás. Nunca acordamos no mesmo local onde fomos dormir. Nosso lugar no universo, o próprio universo, tudo se transforma velozmente a cada segundo. Neste planeta, avançamos e nunca mais retornamos. A verdade é que a imobilidade é uma utopia, um sonho. É uma idéia de luzes aconchegantes e familiares ainda brilhando nos lugares que fomos obrigados a abandonar.

Ok, ok.

Tá bom, já falei!

Confesso: o novato Steven Hall escreve pra caralho e "Cabeça Tubarão" é, até o momento, um dos livros mais porretas que li este ano. Vamos ver se isso não muda até o final (do livro e do ano).


:: Por Caco, o Sapo às 04:21 PM :: 1 comments


November 23, 2007
Ácido Acético Embrionário

Hoje.

É.

Um dia. Daqueles.

Muito, muito, m-u-i-t-o cuidado.

Devagar, translúcido, segurando no corrimão para não tropeçar nos próprios devaneios, serpenteando pelo caminho úmido da consciência.

Meu cérebro mergulhado em vinagre, deslizando pelos eventos do dia, colidindo com as cobranças, regras, anseios, revoltas.

Tentando chegar ao final com o mínimo dano possível.

Agarrando as pontas viscosas da razão, do autocontrole, com os dedos cansados e trêmulos.

Manter a cabeça nas coisas simples, nas peças basilares.

Manutenção da vida.

Isso mesmo, manutenção da vida. Concentração nisso. Foco.

Respirar.

Inspirar.

Expirar.

Não pirar.

Forçar ao mínimo os limites. Até porquê, a linha tênue entre razão e loucura contorce e dança na espessura de uma bolha de sabão.

Prestes a explodir, um ploc discreto e definitivo.

Os filamentos da integridade tensos, estirados para além do saudável, comprometendo o conjunto de programas ensinados e reafirmados em 29 anos de sociedade-faça-tudo-o-que-esperam-de-você.

Identidade fragmentando-se, estilhaços escarrados pelos cantos do ônibus lotado, do chão imundo, das escadarias frias e sem cor. O soluço, o engasgo, a ânsia de regurgitar dezenas de eventos mal digeridos.

Calma.

Mais algumas horas.

Só mais algumas malditas horas.

Um gole de água e o pensamento segmentado já se perde nas correntes letárgicas e viciadas do ar condicionado.

Medo de abrir a janela.

De abri-la e, com isso, quebrar a fina casca de raciocínio lógico que resiste, heróica.

De não suportar mais e transformar-me, plenamente, em algo novo, disforme.

De vazar oceanos de pensamentos incongruentes, aflitivos, volúveis e voláteis. Uma cascata de vida inacabada, o coletivo de sonhos desesperados criando asas e voando para dentro da poluição voraz.

Medo de perder minhas fronteiras.

Medo de mim mesmo.

Diluído nessa solução cognitiva e caótica, mal me movo dentro do meu corpo.

Tento passar pelo dia como se não existisse.

Tomar o mínimo possível de decisões.

Evitar as catástrofes maiores.

Ficar pelos pequenos tropeços.

A angústia continua seu movimento, retorcendo seu corpo gelado e pegajoso, esmagando em um abraço insano meu peito, meu pescoço, meus miolos.

Calma.

Muita, m-u-i-ta calma.

Vai passar.

Tudo o que você precisa é manter-se a salvo mais algumas horas. Trabalhar como um autômato mais algumas horas eternas e rastejantes, até que possa fugir novamente para os cobertores quentes e colocar cada partícula de existência no seu devido lugar.

Tolerar a consciência, a presença dos outros, por mais algumas horas.

Mais.

Algumas. Horas.

E torcer.

Torcer para que as inevitáveis perdas, os previsíveis ferimentos, a exaustão organo-onírica, tudo seja, em algum momento, superável.

Vamos lá.

Manter-se fora de perigo.

Neutro, apagado.

Só mais algumas horas.

Até.

Hoje.

Acabar.

:: Por Caco, o Sapo às 11:58 AM :: 8 comments


November 30, 2007
Síndrome de Excitação Sexual Persistente

O que eu quero eu não tenho
O que eu não tenho quero ter
Não posso ter o que eu quero
E acho que isso não tem nada a ver

O ser humano é uma espécie babaca.

Essa coisa de só dar valor ao que se tinha depois que perdeu é simplesmente imbecil até a última gota.

Mas, é claro, dá sempre pra piorar: você não dá valor ao que tem, mas dá valor em excesso ao que não tem (e ao que, no final das contas, você sequer iria querer se de fato tivesse).

É aquela criança mimada e irritante que chora desesperadamente pra conseguir o que está na mão do amiguinho, nem que seja uma fralda suja.

Não é o conteúdo, é a ausência do “ter”. É o poder ardiloso da aquisição.

É MEEEEEU!!!!!!

Meu, MEU, meu, m-e-u, só MEU!!!!

Toma, então! Aproveite e enfie no seu orifício anal (sim, é ele mesmo: o cu), com gosto.

Entenda, não sou um ignorante total: sei muito (MUITO) bem que essa angústia, essa vontade de ir além, de conseguir mais, isso tudo é simplesmente o motor da vida humana. Nos impulsiona para aquele conceito meio furado, meio impreciso, o tal futuro.

Pois bem, um mal necessário.

Mas é essa teimosia em abandonar as preciosidades conquistadas como uma latinha de coca-cola, logo depois do último gole; essa mania de usar os outros em proveito próprio e depois descartar, com menos atenção e carinho do que se dá ao jogar o papel higiênico no lixo, esse comportamento ignorante e egoísta da humanidade me enoja tão completamente!

Nós perdemos mais tempo desejando coisas que jamais vamos ter (e, repito, detestaríamos se tivéssemos) do que cuidando do que conquistamos na vida.

É patético.

Andar por entre buracos negros de desejos e insatisfação, todos os dias, cansa.

Desgasta.

No final, essas criaturas alimentadas pela insegurança e pelo consumo desenfreado de realizações puramente idealizadas infectam todo o ambiente, devoram a carne da realidade e poluem o mundo com mais e mais angústia.

Esse vírus persistente circula pelo ar, livre, sem preocupações.

Em algum momento o seu sistema imunológico sensorial vai estar em baixa, seja por causa daquela briga com sua mãe, daquele telefone que NÃO tocou, daquelas horas em que você passou revendo algo ruim, daqueles cinco segundos em que você se deu conta que a vida é, sim, marcescível.

E ele estará lá para contaminar você também, como um parasita inteligente e resoluto.

Mais angústia, mais desejo sem contexto, sem significado.

Conforme o parasita cresce dentro de você, alimentando-se do que você foi, do que você poderia ser, a sua própria essência definha, se encolhe, morre.

O que é meu?

O que é, verdadeira e indiscutivelmente, meu?

Possuo o quê nessa vida?

A vida, em si, é minha?

Uma leve distração, um olhar meio segundo atrasado e qualquer coisa mais rápida, mais pesada e mais afiada pode encerrar minha presença, abruptamente.

Como arrancar esse desprezível parasita das minhas veias, os tentáculos incrustados no meu cérebro?

Será possível mesmo extirpar algo assim, tão humano?

Ou estarei apenas desejando mais uma vez o que não posso ter?

A fralda suja que se mostra diamante aos olhos débeis.

Uma espécie babaca, vai por mim.

 


:: Por Caco, o Sapo às 02:53 PM :: 5 comments


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.Ao invés de soltar o Tyler Durden que há em cada um de nós pelas ruas, solta o verbo aqui nesse pedaço virtual de realidade humana.
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